[RILTON FILHO] IGREJA SANGRENTA: CUIDADO COM O SEU BANQUETE


Categoria: Coluna
Imagem: Google Images
Publicado: 28 de Fevereiro de 2018, Quarta Feira, 15h50

Por: RILTON FILHO (foto)

A ideia de congregação, isto é, a capacidade que nós temos de conviver com diversas pessoas diferentes em um mesmo ambiente, traz uma série de implicações quando nos esbarramos em realidades que não fazem parte da nossa. Embora seja desconfortável pensar na convivência com aquele que é diferente, se faz necessária quando tratamos da realidade cristã, tendo em vista que aquele que foi Santo era (é) capaz de andar e conviver com aquele que era (estar) sujo. Por isso, sujeira alheia e, sobretudo, a nossa, deve ser encarada com um caráter momentâneo e mutável, nesse sentido, podemos até estar sujo andando com Ele, mas não devemos ser sujo. A importância dessa percepção faz toda diferença na nossa convivência com o outro, que deve ser baseada na sinceridade e, portanto, me lembro de uma frase de Agostinho que cabe na nossa reflexão quando se trata dessa falta de sinceridade que permeia as relações, ele diz: “Pecado ainda mais grave era o de não me considerar pecador”.

Essa realidade é extremamente perigosa, porque vivemos totalmente inclinados a olhar o pecado do outro e esquecer aquele que nos envolve, a ponto, de nos fazer esquecer que somos pecadores. Portanto, sútil e danoso. Minha oração é que todos consiga, na congregação, enxergar a nudez: das suas próprias mentiras, das suas perversões, prostituições, idolatrias, hipocrisias e amnesia. Amnesia? Sim, claro. Porque a gente só vive pensando no que o outro fez e faz, a gente só ler o texto bíblico lembrando e aplicando o que o outro fez e faz, por esse motivo, Agostinho ao parafrasear o Salmo 141 ele escreve: “guarda à minha boca, e uma porta de proteção para meus lábios, a fim de que o meu coração não se afeiçoasse às palavras de malícia, a fim de encontrar desculpas para os meus pecados”. Sincero e preciso, Salmo 141 nos livra das desculpas bem elaboradas.

A igreja às vezes sangra porque as ovelhas tem se alimentado de banquetes falsos, pois na nossa convivência, tudo implica naquilo que consumimos e por isso essa amnesia deve ser tratada, senão, enquanto você olha o consumo do outro você pode estar consumindo: “As águas roubadas são doces, e o pão comido às ocultas é suave. Mas não sabe que ali estão os mortos; que os seus convidados estão nas profundezas do inferno” Pv 9.17-18. É tempo de olhar para o seu banquete…


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