NOVO CICLO - IGREJA QUE CURA - Aula no Monte: Ética Com Jesus
Publicado neste site no dia:
28 de Fevereiro de 2018, Quarta Feira, 15h57


O monte é famoso, porém o professor é ainda mais. A principal motivação de Jesus em ensinar cada princípio e cada exemplo de vida para os discípulos e todos que se achega ao monte, se concentra na oportunidade de estabelecer a sua ética e transparecer o seu caráter que deveria ser seguido se porventura alguém desejasse. A oportunidade não é inédita, pois outrora Sócrates obteve a oportunidade de ensinar a sua maiêutica (estabelecer um diálogo através de perguntas, de modo a despertar um conhecimento oculto no individuo); Aristóteles também ensinou a seu filho sua ideia a cerca da ética, que fora compilada no livro: Ética a nicômaco; Entretanto, Cristo estabeleceu uma ética desafiadora que começa no evangelho segundo Mateus, mas que se estende durante todo o seu ministério, afinal, sua vida era uma aula. Durante o sermão, a história acredita que houvesse alguns filósofos de epicuro presente no monte, que para esses, aquela seria uma das piores aulas, pois os epicureus acreditavam: "que a felicidade é a falta de dor e de perturbação e para atingir essa felicidade e a paz, o homem só precisa de si mesmo". Contrapondo essa ideia, Cristo estabelece uma ética que dispõe felicidade (bem-aventurança) quando sofremos em prol do outro e, sobretudo, quando sofremos por causa de outra pessoa: Cristo. Sem dúvida Jesus estabeleceu algo diferente, desafiador e confrontador para determinadas perspectivas.

Tal como o Filho, Deus o Pai estabeleceu a sua ética para o seu povo, visto que somente ela poderia preservar a continuidade da civilização, ou seja, alguém deveria entender (Moisés) que os preceitos instituídos pelo Deus da criação não deveria ser violado (Deus diz a Moisés quando é perguntado se poderia entrar na terra prometida: Basta; não me fales mais neste negócio. Deut 3.26), pois quando algo sai do compasso da normalidade em uma sociedade, isto é, a falta de ética, é necessário que alguém pague o custo, de modo a abnegar o seu próprio deleite em prol do deleite do outro. Moisés entende isso e mesmo sabendo que não poderia fazer parte da promessa ele obedece o custo e continua instruindo o povo ao longo da caminhada. Por esse motivo, Deus sempre terá o controle da história nas mãos e sempre despertará no coração dos seus discípulos a sede da justiça, ainda que ela consuma o seu deleite.

E embora a afirmação de cristãos que partilham da ética de epicuro seja chocante, ela é verdadeira. Visto que a nossa felicidade nos arrebatou para a despreocupação com o oprimido (seja ele qual for), já que as nossas subidas aos montes da vida servem sempre para a exaltação daquilo que é meu, daquilo que eu preciso e daquilo que me falta. E lamentavelmente, quando subimos com essa motivação, já bloqueamos qualquer tipo de orientação diferente e cada vez mais longes de sermos discípulos, descemos o monte mais epicurista do que subimos. Não por causa do professor do monte, mas porque o professor não permanece em montes egoístas (confira Lucas 18.9-14). Paulo Freire escreveu algo interessante: "somente os cristãos que se preocupam com os oprimidos podem chegar a ser utópicos, proféticos e esperançosos, na medida em que o seu futuro não é mera repetição reformada do seu presente". Ao contrário do fariseu, nossas orações devem manifestar as perturbações do outro, nosso cronograma diário deve ser afetado pela dor do outro (bom samaritano) e principalmente, nossos montes devem ecoar a máxima de Cristo: "Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia" (Mat 5.7). Assim, seremos mais éticos, mais crentes e desceremos do monte em direção "a mudança que queremos ver no mundo" (Mahatma Gandhi).


Rilton Filho
Colunista



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