Primeiros Esforços do Evangelho na América do Sul
O avanço do Protestantismo na América Latina nada tem a ver com conquistas políticas, pois desde o princípio os sistemas políticos dessa região do mundo, sempre se opuseram à expansão do Evangelho. As tentativas feitas pelos huguenotes franceses, na década de 1550, visando estabelecer-se no Brasil, longe das perseguições, foram repelidas pelas autoridades portuguesas com o aval da Igreja Romana. Os holandeses, que haviam controlado o nordeste brasileiro por mais de trinta anos, e nesse tempo estabeleceram um expressivo trabalho evangélico, também foram expulsos em 1661. Não obstante a oposição sofrida, pelos fins do século XVIII, a causa protestante começava a ganhar espaço. As sociedades missionárias congregacionais e metodistas começaram a operar nessa área, e nas Guianas, no começo do século XIX, quando os ingleses e holandeses controlavam esta última região.


Lutas pela Liberdade Religiosa
À medida que os países dominados pela Espanha e Portugal ganhavam sua independência, muitas leis discriminatórias foram revisadas, e na constituição desses países a palavra proíbe começou a ser trocada por permite: "permite-se o exercício público de outras religiões".

Mudadas as leis opressivas em leis favoráveis, as igrejas protestantes começaram a aumentar. Nas Guianas, que nunca haviam conhecido o domínio espanhol ou português, se achava o maior número de protestantes. Os moravianos, que ali haviam chegado em 1738, formavam um total de quase 9000 membros. Os metodistas anunciavam contar com mais de 4000 membros. Em 1900, as igrejas desses dois pequenos países constituíram quase cinqüenta por cento dos membros das igrejas evangélicas da América do Sul. À sombra da inquisição, o clero romano com o aval de muitos governantes, infligia perseguições extremas aos evangélicos na América Latina, o que de certa forma aumentava o zelo dos crentes e a expansão das igrejas.

Depois de 1890, o Brasil reconheceu a "absoluta igualdade" entre as diferentes igrejas aqui existentes. Isso permitiu que centenas de igrejas fossem estabelecidas de imediato. Todavia, a igualdade diante da lei, freqüentemente era desrespeitada pela Igreja Romana, que se contentava em levantar sucessivas ondas de perseguição às igrejas evangélicas do Brasil e de outros países latino-americanos.

É digno de nota que mesmo depois de 1900, países da América Latina como o Chile, Colômbia, Venezuela, Argentina, Peru, Uruguai, Paraguai, Equador e Bolívia, só com grande relutância abriram as suas portas aos evangélicos, ao passo que as igrejas evangélicas do Brasil se multiplicavam de maneira surpreendente.


Chegam as Primeiras Bíblias
Coube às sociedades bíblicas americana e britânica a honra de fazer entrar na América Latina as primeiras Bíblias, no começo do século passado. A distribuição de Bíblias foi feita lentamente, até que surgiram bravos colportores, homens capazes e entusiastas que devotavam tempo integral no trabalho de venda e distribuição das Escrituras. Não poucos deles foram alvo de ataques, perseguições e prisões por parte de sacerdotes católicos. Alguns deles são lembrados hoje como apóstolos da causa da liberdade religiosa em seu país. Entre os quais se destacaram Penzotti, no Peru, e Tonelli, no Brasil. Não poucos desses homens sofreram o martírio como preço da nobre causa que abraçaram.


James Thomson
Um dos mais famosos colportores desse período de pioneirismo, foi James Thomson, cuja coragem e amor cristão o levou a percorrer toda a extensão da costa ocidental da América do Sul e atravessar a América Central, o México e a área do Caribe, levando uma Bíblia debaixo do braço. Thomson destacou-se não só como um colportor e educador cristão, mas também como um ardoroso evangelista. Suas cartas enviadas à Inglaterra, sua pátria, revelam seu interesse e hipotecam confiança no futuro das igrejas evangélicas da América Latina.

Contam-se nos relatos, que muitas igrejas foram estabelecidas mediante o testemunho exclusivo de algum leitor da Bíblia, que compartilhava com outros da realidade de sua descoberta da verdade divina lendo a Palavra de Deus. Muitos têm dito que o padrão era claro e simples: primeiro aparecia uma Bíblia, depois um convertido, e a seguir, uma igreja.

F. C. Glass, um dos colportores pioneiros do Brasil, asseverou: "Em dezenas de lugares onde vendi os primeiros exemplares das Escrituras que o povo via pela primeira vez, existem fortes igrejas atualmente... Na maioria dos casos, quase invariavelmente, primeiramente aparecia a Bíblia e depois o pregador, excetuando aqueles casos em que o colportor era também o evangelista; noutros casos, a Bíblia e o pregador surgiam ao mesmo tempo. Não me lembro de uma única instância em que a Bíblia tenha surgido em segundo lugar. Falando por experiência pessoal, portanto, devo dizer que se alguém quiser abrir uma nova área, a primeira coisa a ser feita é enviar alguém munido de uma Bíblia".


Fonte: História da Igreja, Dos Primórdios à Atualidade. Autor: Raimundo Ferreira de Oliveira. Adaptado para o curso da EETAD.



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