3o Congresso Lausanne Reúne 4 Mil Líderes Cristãos de Todo Mundo na África do Sul
De 16 à 25 de Outubro, sob o tema "Deus em Cristo reconciliando consigo o mundo" (2Co 5.19), a Cidade do Cabo (segunda maior cidade da África do Sul) recebeu cerca de 4 mil líderes evangélicos de 197 países para o 3o Congresso Lausanne de Evangelização Mundial. O evento, que foi idealizado pelos pastores Billy Graham e John Stott nos anos 70, teve sua primeira realização em 1974, na cidade de Lausanne, Suíça, daí o nome do evento. A segunda edição se deu em Manila, Filipinas, em 1989.

Cada Congresso Lausanne produz um documento. O conteúdo do novo deve ser divulgado até o início de 2011. Será "uma declaração de fé e um chamado à ação", conforme define o Dr. Chris Wright, diretor da Lagham Partnership International, e o principal arquiteto desta nova declaração, um trabalho feito em parceria com teólogos respeitados de todos os continentes. O documento, intitulado Compromisso de Cape Town (Cidade do Cabo), será "enraizado na centralidade da unicidade de Cristo e na autoridade das Escrituras", afirmou Lindsay Brown, diretor internacional do Movimento de Lausanne.

O encontro deste ano discutiu o futuro da Igreja e da evangelização no século 21. Para o presidente-executivo do Movimento Lausanne, Doug Birdsall, este é um momento crítico para a Igreja Mundial. "Esperamos que o Compromisso de Cape Town seja um apelo para a unidade em torno das verdades primárias do Evangelho", revela. Crianças de três continentes enviaram orações feitas à mão aos líderes reunidos em Lausanne.

Um ponto triste do evento foi a notícia de que o governo da China deteu cerca de 200 delegados chineses que se dirigiam ao evento. A informação foi dada por Bob Fu, analista do Ministério Voz dos Mártires e fundador da Associação de Ajuda a China. "Alguns foram barrados nos aeroportos e outros em suas próprias casas, sob prisão domiciliar", conta Fu. Os policiais também confiscaram os passaportes desses irmãos. Cerca de mil policiais foram transferidos para o Aeroporto Internacional de Pequim para impedir a viagem desses 200 líderes cristãos ao Congresso.

Ronaldo Rodrigues de Souza, diretor-executivo da CPAD, foi um dos cerca de 4 mil líderes cristãos de todo o mundo que foram convidados a participar do evento. "Os Congressos de Lausanne são importantes pela sua proposta de dinamizar a evangelização mundial, pelos temas levantados e pela grande quantidade de líderes evangélicos de grande expressão no cenário internacional que dele participam. É um evento marcante e enriquecedor", afirma o diretor da Casa.

Cristãos em 90 países puderam participar também do evento à distância através de 650 links do GlobalLink. O Congresso deste ano reafirmou as verdades bíblicas fundamentais do cristianismo e discutiu os temas críticos que a Igreja enfrenta no início deste novo século. Os temas foram identificados através de reflexões em todo o mundo.

Durante todos os dias do Congresso, foi estudada a Carta aos Efésios. John Stott e Billy Graham enviaram saudações pessoais, comprometendo-se a orar diariamente pelo evento. Alguns dos temas em tela foram "Verdade", "Evangelismo num contexto de pluralismo religioso" e "A integridade da Igreja".

Carver Yu, presidente da pós-graduação da Faculdade de Teologia de Hong Kong, na China, disse que "as ideologias confusas" estavam criando o vazio e a alienação entre as pessoas. Ele lembrou que a campanha publicitária recente de Richard Dawkins e de outros ateus em ônibus de Londres foi um exemplo perfeito do "zelo entusiasmado" com o qual os ateus realizam sua campanha contra o cristianismo e a religião. "O ateísmo está prestes a se tornar a nova religião. Os cristãos devvem pregar o Evangelho de Jesus Cristo sem medo, porque Ele é o caminho, a verdade e a vida. Só Ele pode nos tirar do estado atual de impiedade", ressaltou.

Durante os debates em Lausanne, Michael Herbst, pesquisador no desenvolvimento e evangelismo da igreja, alertou que o declínio da fé entre os pais na Alemanha está levando a uma geração inteira de crianças "crescendo com uma mentalidade ateísta" e a crença de que "a fé não importa". Ele observou que a idéia de uma "verdade singular" e o monoteísmo tornaram-se impopulares e são amplamente considerados como posicionamentos perigosos, arrogantes e potencialmente violentos. "Para muitos, hoje tudo é relativo, não existe uma verdade singular. Dizem que todos aqueles que professam uma verdade singular devem ser silenciosos em um mundo tolerante", disse. O filósofo cristão Os Guinness ecoou seus sentimentos. "A visão bíblica da verdade tornou-se obscena para as mentes modernas, sendo considerada intolerante e divisiva", disse, enfatizando que "a visão bíblica é oportuna e urgente para os nossos dias, mesmo para aqueles que a rejeitam". Guinness também criticou os protestantes liberais e afirmou que temos a responsabilidade de confrontar idéias e crenças falsas e defender a verdade do Evangelho.


Fonte: Mensageiro da Paz, Dezembro 2010




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