Quem Ora e Lê a Bíblia Diariamente e Frequenta Cultos é Mais Maduro

Estudo inédito feito com milhares de evangélicos nos Estados Unidos destaca fatores que levam a um maior nível de maturidade espiritual do cristão

Publicado neste site no dia:
21 de Outubro de 2012, Domingo, 03h20

Você já deve ter ouvido falar que os cristãos que oram e lêem a Bíblia diariamente são os que mais demonstram maturidade cristã e crescimento espiritual, e também que os crentes que oram mais e são mais assíduos à igreja e são os mais envolvidos em atividades cristãs durante a semana. Pois bem, essas verdades bíblicas e da experiência particular dos cristãos em suas congregações podem ser aferidas e atestadas por um meticuloso estudo realizado neste ano com milhares de evangélicos nos Estados Unidos - o maior país evangélico do mundo (o segundo, estima-se, é a China, com milhões em suas igrejas clandestinas e subterrâneas, e o terceiro é o Brasil).

Essa ampla pesquisa foi realizada pelo LifeWay Research com o objetivo de investigar em que pé anda o discipulado - o fazer discípulos - no meio evangélico norte-americano e o nível de maturidade espiritual dos cristãos nos EUA. Porém, apesar de ser um retrato apenas dos evangélicos daquele país, algumas conclusões a que chegaram os pesquisadores são aplicáveis ao contexto evangélico no Brasil e em qualquer outro lugar, pois o levantamento destaca a importância do crente ler a Bíblia, orar e frequentar os cultos em sua igreja como fatores determinantes da saúde espiritual, o que, aliás, corrobora com aquilo que afirma a Bíblia Sagrada sobre a qualidade da vida espiritual do cristão.

Claro que, à luz da Bíblia, a saúde da vida espiritual do crente depende também de outros fatores, mas é inegável que aqueles apresentados no referido estudo são imprescindíveis para a vida do cristão.


Quem costuma ler a Bíblia tende mais a obedecê-la
Dentro desse amplo estudo da entidade norte-americana, um dos resultados que chamaram mais atenção foi o divulgado em 6 de setembro e relativa à importância de se ler a Bíblia. Ao todo, foram entrevistados mais de 2,9 mil evangélicos de todos os EUA.

Em primeiro lugar, o levantamento demonstra que, infelizmente, apenas 19% dos evangélicos daquele país lêem a Bíblia diariamente. E em segundo lugar, ele também revelou que os níveis mais elevados de engajamento na leitura da Bíblia estão relacionados à maturidade e ao crescimento da vida do cristão.

Pelo menos seis ações foram identificadas pelos pesquisadores como comuns na vida dos entrevistados que liam a Bíblia diariamente. Segundo o censo, quem lê constantemente a Bíblia costuma confessar todos os dias os seus pecados a Deus pedindo o Seu perdão; também crê firmemente em Jesus Cristo o único e suficiente caminho para o Céu; é mais decidido a obedecer e seguir a Deus, bem como é mais consciente da importância das suas escolhas diante de Deus; ora pelo estado espiritual de outras pessoas que conhece e não são cristãos professos; lê livros relacionados ao avanço do seu crescimento espiritual (61% dos que lêem a Bíblia diariamente afirmam isso); e se deixam ser mentorizados por cristãos mais maduros espiritualmente (47%).

Ao todo, 19% responderam ler a Bíblia "todos os dias"; 26% dizem que fazem isso "algumas vezes por semana"; 14% dizem que lêem a Bìblia "uma vez por semana"; 22% dizem que "uma vez por mês" ou "algumas vezes por mês"; e 18% dizem que "raramente" ou "nunca". Além disso, 90% dos que costumam ler a Bíblia diariamente afirmam procurar constantemente "agradar e honrar a Jesus em tudo o que fazem", e 59% declaram que, durante o dia, pensam em algum momento sobre as verdades bíblicas além do momento em que estão lendo a Bíblia.

Segundo a entidade norte-americana que fez o estudo, a pesquisa mostra que a maturidade do cristão e o nível de obediência aos mandamentos bíblicos "estão relacionados ao envolvimento com a leitura da Bíblia". Ou seja, quem costuma ler a Bíblia tende mais a obedecê-la e a ter uma vida cristã mais amadurecida desenvolvida. O estudo acrescentou ainda que os dados mostram que "a leitura da Bíblia causa impacto em praticamente todas as áreas de crescimento espiritual. Você pode seguir a Cristo e ver o cristianismo como fonte da verdade, mas se essa verdade não permeia seus pensamentos, aspirações e ações, você não está totalmente envolvido com a verdade. A Palavra de Deus é a verdade, por isso ler e estudar a Bíblia ainda são as atividades que têm o maior impacto sobre a maturidade espiritual. Você simplesmente não vai crescer na fé se não conhecer a Deus e passar tempo com a Sua Palavra".

Diante desses dados, preocupa ainda mais o resultado de uma pesquisa realizada há cerca de dois anos no Brasil pela Abba Press e a Sociedade Bíblica Ibero-Americana, que entrevistaram com 1.255 pastores de várias denominações evangélicos do Brasil. O levantamento demonstrou que 50,68% dos pastores e líderes evangélicos em nosso país nunca leram a Bíblia Sagrada por inteiro pelo menos uma vez, e que a principal desculpa alegada é, por incrível que pareça, "falta de tempo".

Urge perguntar: Se pelo menos metade daqueles cuja principal atividade na vida é pregar e ensinar a Palavra de Deus não costuma ler a Bíblia Sagrada, o que dizer de suas ovelhas? Se aqueles que são responsáveis por orientar biblicamente milhões de crentes no país não se interessam pela Bíblia, o que dizer de suas ovelhas? Se a própria Bíblia destaca a importância da leitura devocional das Sagradas Escrituras para o cristão, e estudos e a experiência pessoal de cada crente também têm provado a importância disso, o que pensar, então, de líderes que simplesmente não lêem a Bíblia? Será que isso não tem muito a nos dizer sobre a saúde espiritual da igreja evangélica brasileira? Será que essa é a razão de tantos erros doutrinários se propagarem com facilidade em nossos dias, já que essa pesquisa mostra que quem lê a Bíblia com frequência se sente impelido a estudar e entender mais as suas verdades?

A Bìblia não deve ser lida apenas pela obrigação de se preparar um sermão.

Como disse o salmista: "Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes tem o seu prazer na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite. Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará" (Sl 1.1-3). Ou como disse Deus a Josué: "Não se aparte da tua boca o livro desta lei; antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme a tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho, e serás bem sucedido" (Js 1.8).


Importância da oração
Uma pesquisa de 2009 conduzida pelo Pew Research Center's Fórum on Religion & Public Faith nos EUA mostrou que 79% dos evangélicos oram pelo menos uma vez ao dia. No Brasil, desconhecemos alguma pesquisa desse tipo já realizada em âmbito nacional, mas acreditamos que, uma vez feita, o resultado não seria diferente. Entretanto, o ruim dessas pesquisas é que elas nunca perguntam quanto tempo cada cristão gasta em média, por dia ou semanalmente, em oração. Com certeza, essa informação seria muito mais importante e útil para se avaliar a qualidade da vida espiritual dos evangélicos em nossos dias.

Apesar de não termos esses dados precisos, uma vez que sabemos que apenas 19% dos evangélicos costumam ler a Bíblia diariamente, não é difícil de imaginar que provavelmente a mesma porcentagem de crentes realmente desenvolvam uma vida de oração, o que nos leva a pensar: O que seria dos evangélicos se realmente vivessem, em sua esmagadora maioria, uma vida de oração?

Um dado concreto relacionado à oração nessa pesquisa de 2012 ao qual nos referimos nos dá um vislumbre disso. Trata-se do levantamento relativo à prática da evangelização na vida do cristão, que estaria associada diretamente à prática da oração.


Evangelizar: prática de quem ora e vai à igreja
Infelizmente, é grande o número de crentes que não compartilham o amor de Cristo com os não-cristãos, de acordo com uma das pesquisas desse amplo estudo realizado em igrejas dos Estados Unidos. A referida pesquisa nos EUA descobriu que 61% dos evangélicos norte-americanos afirmam que, nos últimos seis meses, não levaram a mensagem do Evangelho a uma outra pessoa. E ela revelou ainda que nada menos que 80% daqueles que frequentam a igreja todas as semanas ou pelo menos uma vez ao mês sentem a responsabilidade pessoal de compartilhar a sua fé em Cristo com alguém e procuram sempre evangelizar colegas não-crentes.

O estudo listou oito atributos bíblicos evidentes na vida do cristão e os comparou com o resultado das pesquisas. Desses oito, "Partilhar Cristo" foi o que teve a menor pontuação entre os evangélicos nos EUA. A pesquisa mostra que apenas 25% dos fiéis dizem que se sentem confortáveis em sua capacidade para comunicar eficazmente o Evangelho, enquanto 12% declaram que não se sentem confortáveis contando aos outros sobre sua fé.

Apesar de uma grande maoria acreditar que é seu dever partilhar a sua fé e ter confiança para fazer isso, 25% dos entrevistados dizem ter partilhado a sua fé apenas uma vez ou duas vezes, e 14% têm compartilhado três ou mais vezes nos últimos seis meses.

A pesquisa também perguntou quantas vezes cada indivíduo "convidou uma pessoa sem igreja para assistir a um culto ou algum outro programa em sua igreja". Quase metade (48%) dos entrevistados respondeu: "Nenhuma". Ao todo, 33% das pessoas disseram ter convidado pessoalmente alguém uma ou duas vezes, e 19% disseram ter feito isso em três ou mais vezes nos últimos seis meses.

Outro lado interessante também chama a atenção. "Muitas vezes temos percebido que cristãos novos são mais ativos em compartilhar sua fé", afirma estudo. "Na realidade, as pessoas que têm mais tempo de fé não têm se mostrado mais dedicado a compartilhar o amor de Cristo, enquanto os novos cristãos são mais naturais para partilhar a sua nova experiência", conclui.

Ainda de acordo com Stetzer, "orar com mais frequência por pessoas que não são cristãs professas tem se mostrado o melhor indicador de mais maturidade espiritual no compartilhamento de Cristo às pessoas". Ou seja, segundo a pesquisa, além de a frequência à igreja demonstrar mais envolvimento com evangelismo, cristãos que costumam sempre orar pela conversão dos perdidos são mais propensos a evangelizarem.

No estudo, 21% dos fieis dizem que fora da igreja fazem orações diárias por pessoas que conhecem e que não são cristãs professas, e 26% dizem que oram algumas vezes por semana nesse sentido. Um quinto (20%) dizem que raramente ou nunca oram para que amigos e familiares não cristãos aceitem Cristo como Salvador.

"Orar pelos outros é uma ótima maneira de começar. Reconhecemos a importância da oração em pessoas que chegam à fé em Cristo, mas agora também descobrimos que ela tem um impacto sobre o orante", disse Stetzer.

Como recomendam as Escrituras, "Orai sem cessar" (1 Ts 5.17). E lembremo-nos da promessa divina: "E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra" (2Cr 7.14).


Fonte: Mensageiro da Paz, Outubro 2012




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