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"Temos tanto aqui, e há pessoas com nada", diz Missionário na África
Matheus Araújo, 20, foi ver de perto o terror da intolerância

Com o objetivo de conhecer e ver de perto a situação dos que estão tendo que se esconder da ira dos radicais na África e também tentar ajudar de alguma forma, o estudante Matheus Araújo, 20, passou dez dias naquele continente.

Em Uganda, visitou campo de refugiados. No Egito, esteve com famílias dos cristãos que, em fevereiro passado, foram decapitados pelo Estado Islâmico. O grupo, além de assassinar, divulgou imagens da ação. Nessa entrevista, Matheus conta o que viu de perto.

Voluntariado
A viagem foi uma parceria da igreja Missão com a Organização não governamental (ONG) Missão em Apoio a Igreja Sofredora (Mais). Nos primeiros cinco dias ficamos em uma vila de refugiados, em Uganda, onde há mais de 54 mil pessoas. Nós levamos filtros de água e ajuda financeira. Depois, fomos para a vila Copta, no Egito, onde visitamos as famílias dos cristão decapitados pelo Estado Islâmico. Pude ver muçulmanos e cristãos trabalhando juntos, pelo o bem daquelas famílias. A gente entrou nas casas deles e conversamos com eles. Foi bem emocionante. No final de um dia estivemos em uma mesquita, juntos e em paz.

Preparação
Já tinha feito alguns trabalhos com essa ONG e já fiz algumas missões. A própria Missão prepara os fiéis para ser um missionário. Eu já imaginava, quando fui, que eu ia encontrar muita pobreza e sofrimento, mas também fiquei surpreendido com a força das pessoas.

Experiência
A gente vai até essas casas para ajudar e oferecer apoio a essas pessoas, mas, no meu caso, eu acho que recebo mais que dou. Fiquei surpreso ao ver que, no Egito, as famílias encaravam os entes que morreram decapitados como heróis. Claro, havia sofrimento e dor, mas eles estavam orgulhosos. Além disso, como experiência pessoal tive como lição a alegria das pessoas que vivem em extrema miséria. Crianças vivem como animais, mas ainda assim são alegres. É muito aprendizado. A gente recebe mais que oferece.

Outras missões
Fui pro Haiti quando deu um ano do terremoto. A ONG já tinha trabalho lá. A gente foi para uma festa em comemoração a vida e fizemos um show na base da ONU lá. Foi bem emocionante. Também estive em São Francisco, nos Estado Unidos, mas foi mais tranquilo. Essa foi a terceira vez que viajei em missão.

Mudança
Ao participar das missões eu aprendo muito. Ao voltar da África, tive até que me controlar, por exemplo, para não me sentir culpado ao jantar. Sempre penso que temos tanto aqui, enquanto há pessoas vivendo com nada em outros países e até perto da gente, também.


Fonte: A Gazeta, Jornal do Estado do Espírito Santo, 11 de Julho de 2015



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