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Chacina em Paris Mostra Falhas do Multiculturalismo Anticristão

Teoria Multiculturalista é Fruto da Descristianização do Ocidente, que Tem Levado Muitos Jovens Europeus a Aderirem ao Radicalismo Islâmico

O que aconteceu na França em 7 de janeiro, quando radicais islâmicos mataram quase a redação inteira do semanário francês Charlie Hedbo, foi uma barbárie que aponta para um terrível erro cometido pelos europeus nas últimas décadas: a descristianização do seu continente e a adesão cega à teoria multiculturalista.

Apesar de ser comum também no Canadá e na Nova Zelândia, o multiculturalismo é uma marca mais tipicamente europeia, e consiste, basicamente, na crença de que todas as culturas estão em um mesmo patamar, que não há uma cultura superior a outra, de maneira que todas as manifestações culturais ou crenças devem ser igualmente aceitas. Bem, a prática demonstra que esse tipo de visão está completamente equivocada. Devemos respeitar, sim, todas as culturas, mas devemos também divergir delas quando ferem valores superiores, que, infelizmente, nem sempre são reconhecidos por todas as culturas - ou quando são, o são parcialmente, porque acabam sendo relativizados em muitos casos. A verdade é que somente a cultura judaico-cristã respeita a totalidade desses valores superiores, que secularmente são chamados de "direitos humanos", porque eles são, historicamente, frutos exatamente da influência judaico-cristã na sociedade.

O resultado de anos de campanha multiculturalista, descristianizante e relativista na Europa é que muitos jovens europeus descristianizados se cansaram do secularismo ou do relativismo cultural europeu e aderiram ao radicalismo islâmico, razão pela qual até mesmo o mais famoso ícone do movimento ateísta e anticristão no mundo, o britâncio Richard Dawkins, a reconhecer o tremendo erro que foi a descristianização da Europa: "Tanto quanto sei, não há cristãos explodindo prédios. Não conheço cristãos que façam ataques suicídas com bombas, nem conheço uma grande denominação cristã que acredite que a apostasia deva ser punida com a morte. Tenho sentimentos divididos em relação ao fim do cristianismo, uma vez que o cristianismo pode ser uma fortaleza contra algo pior", declarou o até então acidamente anticristão Dawkins.

É um erro dizer que todos os muçulmanos são violentos ou não pregam a paz. Nem todos os muçulmanos são radicais ou violentos, especialmente a maioria dos ocidentalizados, porém é fato também, comprovado por pesquisas já feitas em vários países muçulmanos, que a maioria da população muçulmana - isto é, a maioria dos islâmicos - prega e defende a violência contra "os infiéis"; inclusive, esta é pregada várias vezes e explicitamente no Alcorão, livro sagrado do islamismo (Sura 9.5, Surata 58.5, 61.4 etc, além da Sharia 9.29,123 etc); e os muçulmanos que não seguem essa orientação são considerados, dentro do espectro teológico islâmico, liberais, teologicamente não-ortodoxos.

As primeiras páginas do Alcorão trazem muitas passagens que pregam realmente a tolerância, a paz e o amor, que dizem, inclusive, que a guerra é detestável, que os seguidores de Alá não devem ser violentos, que só devem guerrear se forem atacados (Suratra 2.54,190; 60.8; 22.39,40) e que as pessoas não devem ser forçadas ao islâ, mas serem conquistadas para ele só com conselhos (Surata 16.125). O problema está nas páginas seguintes, já que o próprio Maomé mudou, mais ou menos do meio do Alcorão para frente, muitas de suas recomendações anteriores. Em determinado momento, ele anuncia explicitamente as revogações do que disse nas primeiras páginas e determina que, agora, o que vale é o uso da força contra "os infiéis". A Sharia (lei islâmica), por sua vez, fala de guerrear contra judeus e cristãos. Como, então, defender o multiculturalismo nesse caso?

Até mesmo no Brasil já sofremos com a aplicação da teoria multiculturalista. Há pouco tempo, a Fundação Nacional do Índio (Funai), um órgão do governo federal, permitia o infanticídio em tribos indígenas e se opunha aos missionários que tentavam salvar os pequenos índios da morte, pois isso feria o princípio do multiculturalismo. É o que dá encher a cabeça de ideologia pós-moderna, relativista.

No fundo, no fundo, o multiculturalismo, que foi concebido pela intelectualidade do próprio Ocidente, nasceu com o objetivo de enfraquecer a cultura judaico-cristã. Ela é uma das muitas facetas envernizadas da revolta matricida que se vê hoje no Ocidente, com os filhos da cultura judaico-cristã lutando a todo custo para matar a sua "mãe", isto é, matar os valores que fundaram a sociedade em que vivem. O cultivo do velho ranço antissemita também é fruto disso. O argumento dessa gente é que considerar a cultura judaico-cristã superior é "arrogância". Segundo os multiculturalistas, não existe essa coisa de uma cultura superior a outra, de maneira que falar de uma cultura superior seria "racismo". Mas, como "racismo", se ninguém está falando de "raça", mas de cultura? Desde quando considerar uma cultura superior a outra significa racismo? Qualquer mente não intoxicada por ideologia barata sabe muito bem que racismo é considerar uma raça superior a outra. Aliás, o prórpio conceito de racismo já pressupõe o absurdo de que há raças diferentes de seres humanos, quando sabemos que há apenas etnias diferentes. Ou seja, racismo é cometer o erro de considerar as etnias como sendo raças e ainda achar que há etnias superiores às outras: brancos superiores a negros, negros superiores a asiáticos, brancos superiores a índios, o inglês superior ao indiano etc.

Racismo não é considerar a cultura ocidental superior à chinesa ou reconhecer a cultura judaico-cristã superior à islâmica. Por mais que você reconheça que há coisas muito boas e interessantes nas culturas chinesa e árabe, os princípios judaico-cristãos são superiores. Aliás, são esses princípios a razão pela qual o Ocidente é chamado hoje de "civilizado". E é exatamente a ausência desses princípios que dificulta os povos islâmicos a viverem em regimes democráticos. Porventura há algum país islâmico onde se vê plenas liberdades democráticas? Para que haja uma democracia, é preciso que antes haja uma cultura democrática, e isso não existe na cultura muçulmana.

É por isso que constatamos que quanto mais "ocidentalizada" é uma nação, mais civilizada ela é. E com isso não estamos dizendo que os valores ocidentais devem ser empurrados "goela abaixo" nas demais culturas. Não. Essas pessoas devem desejar isso, serem convidadas, querer isso, e não serem foraçdas a isso. Veja, por exemplo, o caso do Evangelho: por acaso a Bíblia nos diz que ele deve ser forçado sobre as outras pessoas? Não, ela diz que ele deve apenas ser proclamado, pregado a elas. O Evangelho só pode ser vivido por quem o aceita de livre vontade.


O Cristão e a Tolerância
O Cristianismo nos ensina a não ofender absolutamente ninguém, mas não porque são membros de alguma minoria ou maioria, e, sim, porque são indivíduos feitos à imagem de Deus. A tolerância é exigida do cristão. Todo cristão deve aprender a tolerar as pessoas, mas não necessariamente suas crenças e posições. Temos o dever de ouvir o que as pessoas têm a dizer e aprender com elas naquilo em que estão certas, mas não tolerar o errado em nome do politicamente correto. O cristão defende fervorosamente a tolerância, porém não qualquer tipo de tolerância. Ele defende a tolerância em termos democráticos, ou seja, a tolerância legal e social, e não a tolerância acrítica.

O cristão defende o direito que cada pessoa tem de acreditar em qualquer crença (ou em nenhuma). Ele defende, por exemplo, que ninguém deve ser coagido a crer no que ele, cristão, crê. Isto é, o verdadeiro cristão defende e promove a liberdade religiosa. Isso se chama tolerância legal.

O cristão também defende o respeito a todas as pessoas, mesmo que discordemos de suas religiões ou idéias. Ele defende a paz entre os indivíduos, entre os diferentes. Isso é tolerância social. É com base nas tolerâncias legal e social que temos de fato a liberdade religiosa.

Entretanto, o cristão não defende a tolerância acrítica. Ele defende que a tolerãncia em uma democracia, assim como a tolerância cristã à luz da Bíblia, não é sinônimo de ser acrítico. O cristão tem o direito de expressar, defender e pregar os valores bíblicos, assim como aquele que não é cristão tem o direito de defender aquilo em que acredita.

Tolerância cristã não é sinônimo de condescendência doutrinária, não é afrouxamento de princípios. Por isso, o cristão genuíno se opõe à agenda liberal, defende as verdades absolutas, prega a Palavra de Deus em sua inteireza e evangeliza. Ele, obviamente, é e deve ser condescendente e generoso com as pessoas, mas não condescendente à relativização dos valores e princípios do Evangelho, no qual estão baseadas sua fé e prática, nem deve esmorecer em seu compromisso de cumprir o "Ide" de Jesus achando que evangelizar é desrespeitar a fé do outro, como tenta impor a ditadura do politicamente correto.


Um peso, duas medidas
Foi o Cristianismo que deu ao Ocidente os princípios que o civilizaram e o distinguem das outras formas de organização em outras partes do mundo. Mesmo assim, o que vemos? Formadores de opinião, artistas, políticos etc que zombam da fé cristã e até mesmo da figura de Jesus. Recentemente, em nosso país, jovens saíram nuas nas ruas para zombar da fé cristã, simulando atos libidinosos com crucifixos. Grupos de humor em nosso país já fizeram também, na Internet, esquetes extremamente ofensivos à fé cristã. Entretanto, nem por isso cristãos atacaram ninguém por causa desses atos. Houve apenas protestos verbais. E essas pessoas continuam fazendo essas peças de mau gosto porque sabem que os cristãos nunca irão agredir ninguém por isso. Enquanto isso, os muçulmanos podem reagir a balas e bombas contra a blasfêmia ou o que lhes parece ser blasfêmia, e sempre aparecerá quem lhes dê pelo menos um fundo de razão. Os cristãos não têm sequer o direito de reagir verbalmente sem ser acusados de "crime de ódio". Um peso, duas medidas.


Efeitos do Multiculturalismo
Infelizmente, a aceitação cega do multiculturalismo tem levado a casos como o de alguns países ocidentais que chegam ao absurdo de permitir que suas comunidades islâmicas sejam julgadas pela Sharia e não pelas leis do país que os recebeu. E isso tem acontecido mesmo quando a Sharia fere a lei do país.

Há pouco tempo, um relatório do serviço social britânico revelou que em Rotertham (Londres, Inglaterra), de 1997 a 2013, cerca de 1,4 mil meninas, a maioria brancas, foram "estupradas, traficadas, intimidadas, obrigadas a consumir drogas e álcool, entre outras agressões", por agressores, em sua maioria, de origem pasquitanesa. E o relatório aifrma ainda que "as autoridades não investigaram os suspeitos para evitar acusações de racismo" (Folha de São Paulo, 7 de setembro de 2014, grifo meu), razão pela qual apenas cinco paquistaneses foram punidos.

Pode-se e deve-se respeitar as minorias, as culturas diferentes etc, mas nunca se deve confundir isso com suspensão de valores primordiais em nome desse respeito. São coisas totalmente diferentes, mas que a visão multiculturalista acaba distorcendo. Aliás, um de seus grandes defeitos é justamente enxergar a sociedade apenas como grupos, dentre os quais alguns são taxados de forma geral como vilões e outros, como vítimas. Ora, as leis e os governos não devem enxergar a sociedade como um conjunto de tribos, mas como um conjunto de indivíduos, cujos direitos são iguais e devem ser igualmente respeitados, não importa a etnia ou cultura da vítima ou agressor.

É muito bom e saudável termos uma sociedade com muita diversidade, mas devemos sempre ter cuidado para que essa diversidade não seja confundida com total descaracterização e fragmentação da sociedade, o que a levará ao caos e ao conflito. Consciente disso, em 17 de outubro de 2010, a premiê alemâ Angela Merkel admitia: "O multiculturalismo fracassou completamente".

Tomara que pelo menos se possa tirar essa lição dessa tragédia. Ser saudavelmente pluralista não deve significar submissão a todas as culturas, mas respeito a todas elas, divergindo apenas quando começam a ferir aqueles valores inalienáveis, que a cultura judaico-cristã nos ensinou a preservar e que são reconhecidos por todas as pessoas de bem em qualquer parte do mundo.


Fonte: Mensageiro da Paz, Fevereiro de 2015



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MENSAGEM #01
Mensagem Recebida: 01 de Março de 2015, Domingo, 00h17
Publicada no Site: 01 de Março de 2015, Domingo, 14h17
Nome: Rafaela Lemes
Mensagem: Admirável esse texto sobre multiculturalismo! Depois dessas notícias do atentado na França ainda me perguntava o porquê de tanta intolerância no século que estamos. Foi de grande esclarecimento o texto.



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