Protestantismo no Brasil
O estudo da história da igreja cristã, especialmente no Brasil, têm provocado alguns estudiosos a observar e escrever sobre os problemas do protestantismo em nosso país, as perspectivas do movimento é discutido a necessidade de uma teologia tupiniquim. O professor Luiz Sayão, nos convida a fazer essa análise:

"É preciso pensar o protestantismo pau-brasil! Protestantismo do país pentacampeão, pentasecular, pós-pentecostal, perigosamente problemático, praticamente pós-moderno! Para pensar, em prolegômenos, o protestantismo principiante do principal país português, precisamos proferir palavras propriamente planejadas, previamente preparadas, pesquisando os períodos do protestantismo pau-brasil: partindo-se do pioneiro e principiante, e prosseguindo até o presente e pós-moderno. Possivelmente poderemos prosseguir pincelando o painel polimorfo protestante! Podemos prosseguir? Perfeitamente!"

Após as duas tentativas frustradas de implantação do Protestantismo no Brasil (no Rio de Janeiro, pelos calvinistas franceses em 1555 e no Nordeste brasileiro, pelos holandeses em 1630), podemos considerar o início efetivo do movimento a partir do século XIX, embora ainda restrito, devido à vinda da família real, fugida de Lisboa, atacada pelas tropas napoleônicas. Na ocasião, a Inglaterra, que escoltou os navios portugueses na viagem da família real, ganhou uma permissão restrita para promover cultos nos navios ancorados em portos brasileiros. Essa implantação ocorreu de duas formas, com o protestantismo de imigração (também chamado de protestantismo de colônia ou étnico e temos como exemplo os luteranos) e o protestantismo de missão (aonde o missionário vindo do exterior realizava a obra missionária, objetivando converter os brasileiros. Como exemplos temos os batistas, presbiterianos e congregacionais).

Outro marco do protestantismo no Brasil é a inserção do pentecostalismo que, didaticamente, foi classificado em três ondas: a primeira onda é chamada de pentecostalismo clássico, surgida em 1910 e representados pela Assembléia de Deus e Congregação Cristã do Brasil; a segunda onda insere-se no país entre 1950 e 1960, através da Igreja do Evangelho Quadrangular, Brasil para Cristo e Igreja Pentecostal Deus é Amor, dentro do contexto paulista; e a terceira onda, também chamada de neopentecostalismo, surge entre 1970 e 1980 através da Igreja Universal do Reino de Deus e a Igreja Internacional da Graça de Deus, surgidas no contexto carioca.

Apesar da forma muito simplificada que a implantação das diversas denominações protestantes foi abordada, cada uma, com suas particularidades, contribuiu para o que hoje compõe o que se observa como fenômeno plural do universo religioso brasileiro. Não menos diverso foi o contexto que o protestantismo encontrou em nosso país. O Brasil foi colonizado por Portugal, país também miscigenado (formação original celta, seguido de romanos, bárbaros germânicos, mouros e árabes) e com um catolicismo muito mais místico do que o restante da Europa e um povo muito pacífico, com forte tendência comercial. Além disso, tivemos também a influência através da presença dos africanos, devido à escravidão e dos grandes movimentos migratórios de italianos, alemães, japoneses, libaneses, entre outros, que convivem em harmonia, o que resultou uma mistura racial muito grande.

Observa-se que a cultura brasileira é peculiar e possui relações com a revelação bíblica e que não foram exploradas pelas teologias estrangeiras. O que uma teologia brasileira então deveria abordar? Talvez poderíamos citar, em primeiro lugar, a diversidade e tolerância, pois estamos em um país altamente tolerante. Corrobora com isso o ideal bíblico de que aquilo que nos une deve ser maior do que o que nos separa (somente no Brasil, árabe e judeu vão para a TV fazer piada um do outro); temos uma nação que crê e respeita o sagrado, em todos as classes sociais; temos um povo altamente informal, com forte ênfase nas relações humanas (o Rio de Janeiro, por exemplo, foi eleita a cidade mais hospitaleira do mundo); a cultura brasileira trabalha uma relação tranqüila com idéias diferentes, diferentemente de teologias estrangeiras; temos a marca da esperança que as coisas vão melhorar, apesar de todas as dificuldades sociais, econômicas e políticas; a dimensão estética, a busca do belo e do prazer de viver a vida; as questões sociais, devido aos abismos e sérios problemas que temos em nossa sociedade e o elemento comemorativo, tão forte na Bíblia e também em nossa cultura.

Nossa teologia poderá ser muito significativa se, além de levados em consideração esses aspectos peculiares, fizermos uma ponte entre eles e a Bíblia. Sayão finaliza o seu artigo com a seguinte mensagem:

"Paremos com o pessimismo, pois o protestantismo é promissor, pujante e prevalecente. Precisamos pensar e praticar passionalmente o protestantismo parelhado com a Palavra. Para podermos prevalecer, precisamos ponderar e prosseguir. A primeira ponderação é a prioridade da Palavra. Pressuposto primordial! Precisamos pesquisar, perquirir e pescrutar a Palavra. Propulsionados pelo perscrutar persistente da Palavra do Pai poderemos perfeitamente prosseguir. Os preceitos da Palavra perfazem o próximo passo. Precisamos praticar os preceitos do Príncipe da Paz. Palavra e Prática prosseguem em par! Por fim, penso que precisamos priorizar a prece. Perscrutar e praticar a palavra prepara o profeta, o pregador, o pastor a proferir palavras para o Pai Perene. Praticar a prece profetiza o prevalecer perpétuo pelo poder do Pai."

A observação dos nossos aspectos culturais e também dos preceitos bíblicos, poderá fazer a produção teológica do Brasil crescer qualitativamente e, além disso, devido à proeminência de nossa cultura e futebol no mundo, por exemplo, principalmente na África, Ásia e Oriente Médio, poderemos fazer algo bastante substancial também no campo das missões.


Texto produzido para avaliação do módulo de História da Igreja IV, do curso de Teologia da Faculdade Unida de Vitória.
Fonte: PivaBlog - http://pivablog.blogspot.com/




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