A Teologia e a Vida Espiritual na Baixa Idade Média
(Publicado: 20 de Janeiro de 2013, Domingo, 12:31)
A baixa Idade Média em geral é descrita sobretudo sob o aspecto do declínio, da desintegração e da decadência, uma interpretação que se reflete no título de um estudo clássico desse período, The Waning of the Middle Ages [O Declínio da Idade Média], de Johan Huizinga. Época de adversidade e instabilidade, os séculos XIV e XV tornaram-se terra de ninguém entre a síntese medieval do século XIII, com suas catedrais góticas e sumas escolásticas, e os grandes movimentos reformadores do século XVI.

A Teologia de Martinho Lutero
(Publicado: 19 de Janeiro de 2013, Sábado, 16:58)
Antes de continuar narrando a vida de Lutero e seu trabalho reformador, devemos nos deter para considerar a sua teologia, que foi a base dessa vida e dessa obra. Ao chegar o momento da dieta de Worms, a teologia do Reformador havia alcançado sua maturidade. Então a partir daí, o que Lutero fez foi simplesmente elaborar as conseqüências dessa teologia. Portanto, este parece ser o momento adequado para interromper nossa narrativa, e dar ao leitor uma idéia mais adequada da visão que Lutero tinha da mensagem cristã. Ao contarmos sua peregrinação espiritual, dissemos algo sobre a doutrina da justificação pela fé. Porém essa doutrina, apesar de ser fundamental, não é a totalidade da teologia de Lutero.

Mãe de Deus ou Apenas Mãe Terrena de Jesus?
(Publicado: 21 de Outubro de 2012, Domingo, 02:31)
A discussão a respeito da participação de Maria na obra redentora tem acontecido desde o quinto século de existência da igreja, com o advento da Igreja Católica Romana. Este assunto foi discutido pela primeira vez nos concílios de Éfeso (431 d.C.) e Calcedônia (451 d.C.), os quais trataram sobre as naturezas de Cristo, com a finalidade de combater heresias que distorciam a verdade bíblica sobre Jesus.

A Igreja do Novo Testamento (Parte 5, Final) - As Ordenanças da Igreja
(Publicado: 06 de Outubro de 2012, Sábado, 15:00)
A seção final deste capítulo estuda uma área que tem sido foco de consideráveis controvérsias na história da doutrina cristã. A maioria dos grupos protestantes concordam entre si que Cristo deixou à Igreja duas observâncias - ou ritos - a serem incorporadas no culto cristão: o batismo nas águas e a Ceia do Senhor. (O protestantismo, seguindo os reformadores, tem rejeitado a natureza sacramental de todos os ritos menos os dois originais). Desde os tempos de Agostinho, muitos têm seguido a opinião de que tanto o batismo quanto a Ceia do Senhor servem como "sinal exterior e visível de uma raça interior e espiritual". O problema não está na prática dos ritos, mas na interpretação do seu significado (por exemplo, o que subentende uma "graça interior e espiritual"?). Estes ritos históricos da fé cristã são normalmente chamados sacramentos ou ordenanças. Alguns empregam os termos de modo intercambiável, ao passo que outros defendem que o entendimento correto das diferenças entre os conceitos é importante para a correta aplicação teológica.

A Igreja do Novo Testamento (Parte 4) - O Ministério da Igreja
(Publicado: 06 de Outubro de 2012, Sábado, 14:58)
O Sacerdócio dos Crentes
Uma das doutrinas mais importantes, ressaltada durante a Reforma Protestante, foi o sacerdócio de todos os crentes: cada um dos fiéis tem acesso direto a Deus mediante o sumo sacerdócio do próprio Jesus Cristo. Esta idéia, após ter passado o ministério muitos séculos sob o controle da Igreja Romana, emocionou as pessoas. A partir daí, reconheceram que Cristo outorgou ministérios a todos os crentes, visando o bem da totalidade do Corpo.

Conversas à Mesa com Lutero (Parte 2) - As Obras de Deus
(Publicado: 22 de Setembro de 2012 , Sábado, 12:59)
LXIII
Todas as obras de Deus são inescrutáveis e inexplicáveis. Nenhum sentido humano pode descobri-las. Somente a fé é que pode apreendê-las, sem o poder ou auxílio humanos. Nenhuma criatura mortal pode compreender Deus em sua majestade. Por isso, ele veio a nós de maneira mais simples, foi feito homem, não é mesmo? Pecado, morte e fraqueza.

Em todas as coisas, nas menores criaturas e nos seus membros, brilham claramente o poder supremo e as obras maravilhosas de Deus. Pois qual é o homem, por mais poderoso, sábio e santo, que pode fazer de um figo uma figueira ou um outro figo, ou de um grão de cereja uma cereja ou um pé de cerejas? Qual é o homem que sabe como Deus cria e preserva todas as coisas e faz com que se desenvolvam?

Nem mesmo podemos entender como o olho vê, ou como são simplesmente pronunciadas palavras inteligíveis quando a língua se move e se mexe na boca, tudo coisas naturais, diariamente vistas e praticadas. Como é que, então, seríamos capazes de compreender ou entender os secretos conselhos da majestade de Deus, perscrutá-los com nossos sentidos, razão e entendimento humanos? Deveríamos, então, admirar a nossa própria sabedoria? Eu, de minha parte, me considero um tolo e me mantenho cativo.

Conversas à Mesa com Lutero (Parte 1) - Palavra de Deus
(Publicado: 22 de Setembro de 2012, Sábado, 12:38)
I
Que a Bíblia é a palavra de Deus e o seu Livro, eu o provo desta forma: Todas as coisas que existiram e existem no mundo e a forma sob a qual existem encontram-se descritas no primeiro livro de Moisés sobre a criação; exatamente como Deus criou e deu forma à terra, e assim a terra permanece até hoje. Potentados infinitos se iraram contra esse livro e tentaram destruí-lo e exterminá-lo – o rei Alexandre Magno, os príncipes do Egito e da Babilônia, os monarcas da Pérsia, da Grécia e de Roma, os imperadores Júlio e Augusto – porém eles não prevaleceram; estão todos liquidados e extintos, enquanto que o Livro permanece e permanecerá para sempre, perfeito e intacto, como foi dito primeiro. Quem o assim auxiliou – quem o assim protegeu contra tais forças poderosas? Com certeza ninguém, a não ser Deus mesmo que é o senhor de todas as coisas. E não se trata de um milagre pequeno Deus tem preservado e protegido esse Livro; pois o diabo e o mundo são-lhe inimigos furiosos. Acredito que o maligno tenha destruído muito bons livros da igreja, da mesma forma que outrora matou e destruiu muitas pessoas piedosas, cuja memória agora está esquecida, porém a Bíblia Deus de bom grado deixou subsistir. Da mesma forma, o batismo, o sacramento do altar, o verdadeiro corpo e sangue de Cristo e o ofício da pregação permaneceram até nós, a despeito de uma infinidade de tiranos e de perseguidores heréticos. Deus, pelo seu poder único, conservou tais coisas; vamos, então, sem medo de impedimento batizar, administrar o sacramento e pregar. Homero, Virgílio e outros escritores nobres, finos e profícuos legaram-nos livros de longa antiguidade, mas estes representam zero em relação à Bíblia.

Enquanto a igreja papista preponderava, a Bíblia nunca foi franqueada às pessoas em uma forma tal que pudesse ser lida de forma clara, inteligível, segura e fácil, como agora podem fazê-lo na versão em alemão que, graças a Deus, preparamos aqui em Wittenberg.

A Igreja do Novo Testamento (Parte 3) - A Organização da Igreja
(Publicado: 15 de Setembro de 2012, Sábado, 19:50)
Organismo ou Organização?
A Igreja deve ser considerada um organismo, algo que possui e gera vida, ou uma organização, caracterizada pela estrutura e pela forma? Esta pergunta tem sido postulada de várias maneiras e por vários motivos durante toda a história do Cristianismo. Cada geração de crentes (inclusive alguns pentecostais do início do século XX) tem contado com pessoas que consideram a Igreja apenas como organismo. Enfatizam a natureza espiritual da Igreja e tendem a pensar que qualquer tentativa de organizar o corpo de crentes resultará na erosão da Igreja e, finalmente, na morte da espontaneidade e vida que caracterizam a verdadeira espiritualidade. Outros crêem firmemente na necessidade da estrutura organizacional para a igreja. Chegam ao extremo de ensinar que a Bíblia oferece pormenores específicos para a ordem e regulamento da igreja (infelizmente, subvertem seus próprios argumentos ao discordarem entre si sobre quais pormenores são obrigatórios!).

A Igreja do Novo Testamento (Parte 2) - A Natureza da Igreja
(Publicado: 07 de Setembro de 2012, Sexta Feira, 18:33)
Termos Bíblicos Aplicados à Igreja
Já temos uma definição de Igreja com base nos termos bíblicos primários, como ekklêsia (um grupo de cidadãos reunidos visando um propósito específico) e kuriakos (um grupo que pertence ao Senhor). A natureza da Igreja, no entanto, é por demais extensiva para ser englobada em poucas e simples definições. A Bíblia emprega numerosas descrições metafóricas da Igreja, sendo que cada uma delas retrata um aspecto diferente do que ela é e do que é chamada a fazer. Paul Minear observa que cerca de oitenta termos neotestamentários delineiam o significado e o propósito da Igreja. Explorar cada um deles seria um estudo fascinante. Mas, no presente capítulo, bastará examinar as designações mais relevantes.

A Igreja do Novo Testamento (Parte 1) - Introdução; Origem e Desenvolvimento da Igreja
(Publicado: 02 de Setembro de 2012, Domingo, 20:29)
Uma área da teologia cristã freqüentemente desprezada ou tomada por certa é a doutrina da Igreja. Tal descuido deve-se, em parte, à suposição comum de que algumas áreas do estudo teológico são mais essenciais para a salvação e a vida cristã, como por exemplo as doutrinas de Cristo e da salvação, ao passo que outras tão realmente mais emocionantes, como as manifestações do Espírito Santo ou a doutrina das últimas coisas. A Igreja, por outro lado, é assunto que muitos cristãos consideram conhecido. Afinal de contas, tem sido parte regular de sua vida. Que proveito haveria no estudo extensivo de algo tão comum e rotineiro na experiência da maioria dos crentes? A resposta, logicamente, é: bastante.

As Escrituras, juntamente com a história do desenvolvimento e expansão do Cristianismo, oferecem uma riqueza de introspecções à natureza e propósito da Igreja. Adquirir melhor conhecimento teológico sobre a Igreja não é somente um exercício acadêmico digno de nossa atenção. Torna-se essencial para obtermos uma perspectiva correta da teologia que deve ser aplicada à vida diária.

A Igreja foi projetada e criada por Deus. É a sua maneira de prover alimento espiritual para o crente e oferecer uma comunidade de fé através da qual o Evangelho é proclamado e a sua vontade progride a cada geração. Logo, a doutrina da Igreja trata de questões de importância fundamental para o nosso comportamento cristão individual e a correta compreensão da dimensão corpórea da vida e ministério cristãos.

A Santíssima Trindade (Parte 4, Final) - A Necessidade Teológica-Filosófica da Trindade
(Publicado: 14 de Julho de 2012, Sábado, 01:49)
As propriedades (qualidades inerentes) eternas e a perfeição absoluta do Deus Trino e Uno são decisivas para o conceito cristão da soberania de Deus sobre a sua criação. Deus, sendo Trindade, é completo em si mesmo (soberano), e, conseqüentemente, a criação é um ato livre de Deus, e não uma ação necessária de sua existência. Por essa razão, "antes de 'no princípio' existia algo diferente de uma situação estática".

A fé cristã oferece uma revelação clara e compreensível de Deus, proveniente de fora da esfera do tempo, pois Deus, como Trindade, tem desfrutado de eterna comunhão e comunicação entre suas três Pessoas distintas. O conceito de um Deus pessoal e que se comunica, desde toda a eternidade, está arraigado na teologia trinitariana. Deus não existia em silêncio e de forma estática para então, certo dia, optar por romper a tranqüilidade daquele silêncio e falar. Pelo contrário: a comunhão eterna dentro da Trindade é essencial para o conceito da revelação. (A alternativa de um Ser divino solitário que murmura de si para si na sua solidão é um pouco inquietante.) O Deus Trino e Uno tem se revelado à humanidade, dentro da humanidade, de modo pessoal e proposicional.

A Santíssima Trindade (Parte 3) - A Trindade e a Doutrina da Salvação
(Publicado: 14 de Julho de 2012, Sábado, 00:09)
As opiniões não-trinitarianas, tais como o modalismo e o arianismo, reduzem a doutrina da salvação a uma charada divina. Todas as convicções cristãs básicas que se centralizam na obra da Cruz pressupõem a distinção pessoal dos membros da Trindade. Refletindo, podemos perguntar se é necessário crer na doutrina da Trindade para ser salvo. A resposta histórica e teológica é que a Igreja não tem usualmente exigido uma declaração explícita de fé na doutrina da Trindade para a pessoa ser batizada. Mas a Igreja certamente espera uma fé implícita no Deus Trino e Uno como aspecto essencial do nosso relacionamento pessoal com os papéis distintivos de cada uma das Pessoas da Deidade, na obra salvífica em prol da humanidade.

A Santíssima Trindade (Parte 2) - A Formação Histórica da Doutrina
(Publicado: 24 de Junho de 2012, Domingo, 16:14)
Embora Calvino estivesse falando de outro assunto doutrinário, sua advertência é igualmente aplicável à fórmulação trinitariana: "Se alguém, sem muita autoconfiança, tentar desvendar os seus mistérios, não conseguirá satisfazer a sua curiosidade, e entrará num labirinto do qual não achará nenhuma saída".

De fato, a formulação histórica da doutrina da Trindade é apropriadamente caracterizada como um labirinto terminológico, no qual muitos caminhos levam a becos sem saída, a heresias.

Os quatro primeiros séculos da Igreja Cristã eram dominados por um único tema: o conceito cristológico de Logos. Esse conceito é exclusivamente joanino, e se acha no prólogo do Evangelho de João e na sua Primeira Epístola. A controvérsia eclesiástica daqueles tempos focalizava-se na pergunta: "O que João quer dizer com seu uso da palavra Logos?" A controvérsia antigiu seu auge no século IV, no Concílio de Nicéia (325 d.C.).

No século II, os pais apostólicos tinham uma cristologia pouco desenvolvida. O relacionamento entre as duas naturezas de Cristo, a humana e a divina, não é claramente articulado nas suas obras. A doutrina da Trindade aparece de forma subentendida nos seus tratados de cristologia, porém não explícita.

Os grandes defensores da fé que havia na Igreja Primitiva (Irineu, Justino Mártir) referiam-se a Cristo como o Logos eterno. Nessa época, porém, o conceito do Logos parece ter sido entendido como um poder ou atributo eterno de Deus que, de alguma maneira, inexplicável, habita em Cristo. Um conceito de Logos eternamente pessoal, em íntima relação com o Pai, ainda não havia sido definido ainda.




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