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Os Ensinamentos de Jesus (Visão Secular)
Prezados,
Graça e Paz

Os escritos desta página foram retirados do livro Uma Breve História do Mundo, do historiador H. G. Wells (1866-1946). Esse livro não é um livro cristão e sim secular. Nessa obra, o autor defende com unhas e dentes o Evolucionismo e levanta críticas contra o Criacionismo. O objetivo da postagem de um de seus escritos em nosso site é simplesmente para refutar um grupo de ateus que defendem a inexistência do Senhor Jesus Cristo. Eles alegam que, além de Cristo nunca ter sido Deus, também nunca existiu. Portanto, publicaremos aqui uma visão secular e incrédula que defende a existência da pessoa que foi e continua sendo Jesus Cristo.


Deus os abençoe e boa leitura!
Marcell de Oliveira

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Foi durante o reinado de César Augusto, o primeiro dos imperadores romanos, que nasceu na Judeia o Cristo do cristianismo, Jesus. Em seu nome nasceria uma religião que estava destinada a se tornar a religião oficial de todo o Império Romano.

Neste momento, é bastante conveniente manter história e teologia em separado. Grande parte do mundo cristão acredita que Jesus era a encarnação do Deus de toda a Terra que os judeus haviam reconhecido pela primeira vez. O historiador, se quiser ser historiador, não pode nem aceitar e tampouco negar essa interpretação. Materialmente, Jesus surgiu ao mundo com uma aparência de homem, e o historiador deve lidar com ele como se lidasse com um homem.

Ele apareceu na Judeia durante o reinado de Tibério César. Era um profeta. Pregava à maneira dos profetas judeus antigos. Era um homem com cerca de trinta anos, e ignoramos profundamente como vivia antes de começar a pregar.

Nossas únicas fontes diretas de informação sobre a vida e os ensinamentos de Jesus são os quatro evangelhos. Os quatro convergem ao formar o retrato de uma personalidade muito definida. Um deles se sente obrigado a afirmar: "Aqui estava um homem. Isso não poderia ter sido inventado."

Porém, assim como a personalidade de Gautama Buda foi distorcida e obscurecida pela rígida figura agachada, pelo ídolo dourado do budismo posterior, podemos sentir que a personaldiade enérgica de Jesus foi desvirtuada pela arte cristã moderna, na qual uma reverência equivocada impôs a ele um tanto de surrealismo e convencionalismo. Jesus era um pregador miserável que perambulava pelas terras ressecadas e poeirentas da Judeia, sustentado por doações ocasionais de comida; e no entanto ele é sempre representado como um homem limpo, penteado e apresentável, em vestes impecáveis, ereto e com um ar de imobilidade, como se deslizasse pelo ar. Só isso já faz com que ele pareça irreal e pouco convincente para muitas pessoas, que não conseguem identificar o âmago da história em meio às invenções ornamentais e tolas da devoção ignorante.

Se eliminarmos deste registro os acessórios desconexos, vamos nos ver diante da figura de um homem muito humano, muito determinado e passional, capaz de se enfurecer de repente, que prega uma doutrina nova, simples e profunda - a doutrina do amor universal que vem do Deus Pai, a doutrina da chegada do Reino dos Céus. Para usar uma expressão comum, ele era claramente uma pessoa de intenso magnetismo pessoal. Atraía seguidores e os enchia de amor e coragem. Pessoas fracas e aflitas eram animadas e curadas com sua presença. Mas é provável que Jesus tivesse uma compleição delicada, por causa da rapidez com que morreu sob as dores da crucificação. A tradição diz que ele desmaiou quando, de acordo com o costume, foi obrigado a carregar a cruz até o local da execução. Jesus andou pelo país por três anos, divulgando sua doutrina, e então foi para Jerusalém e foi acusado de tentar criar um reino estranho na Judeia; julgado pela acusação, foi crucificado junto com dois ladrões. Muito antes que os ladrões morressem, seus sofrimentos já estavam acabados.

A doutrina do Reino dos Céus, que era a principal pregação de Jesus, é certamente uma das mais revolucionárias entre as doutrinas que sacudiram e transformaram o pensamento humano. Pouco surpreende o fato de que o mundo da época não compreendeu todo o seu significado, recusando-se, com espanto, a apreender sequer a metade dos tremendos desafios que a doutrina oferecia aos hábitos e às instituições estabelecidas da humanidade. Pois a doutrina do Reino dos Céus, como Jesus parece ter afirmado, não exigia nada menos que uma transformação completa, uma depuração ousada e intransigente na vida da nossa exaurida raça, uma limpeza profunda, por dentro e por fora. O leitor deve consultar os evangelhos para encontrar o que foi preservado de seus tremendos ensinamentos; aqui, estamos interessados apenas no estrono de seu choque com as ideias estabelecidas.

Os judeus estavam convencidos de que Deus, o Deus único do mundo inteiro, era um Deus justo, mas também acreditavam que ele fizera um acordo com o patriarca Abraão, um acordo que era muito vantajoso para eles e que lhes garantia, no futuro, uma predominância sobre a Terra. Com desalento e raiva, viram Jesus destruindo suas mais preciosas certezas. Deus, ele ensinava, não fazia acordos com ninguém; não havia um povo escolhido, não havia favorito no Reino dos Céus. Deus era o pai amoroso de toda a vida, incapaz, como o Sol universal, de favorecer quem quer que fosse. E todos os homens eram irmãos - tanto os pecadores quanto os filhos amados - para esse pai divino. Na parábola do Bom Samaritano, Jesus desdenhou da tendência natural que faz com que todos nós glorifiquemos o nosso próprio povo e minimizemos a retidão de outros credos e outras raças. Na parábola dos lavradores, ele rechaça a reivindicação dos judeus de que tivessem direito a favores especiais por parte de Deus. Jesus ensinou que Deus serve sem distinção a todos os que pertencem a seu reino; ele trata todos como iguais, porque não há como medir sua bondade. Além disso, de todos ele exige o máximo esforço, como demonstra na parábola dos talentos, e como fica reforçado no incidente das moedas da viúva. No Reino dos Céus não existem privilégios, abatimentos ou desculpas.

Mas Jesus não ofendeu apenas o intenso patriotismo tribal dos judeus. Eles valorizavam intensamente a lealdade familiar, e Jesus acabaria liquidando as superficiais e restritivas afeições familiares na grande inundação do amor de Deus. O Reino dos Céus seria a família de seus seguidores. Podemos ler, na Bíblia: "Estando ainda a falar às multidões, sua mãe e seus irmãos estavam fora, procurando falar-lhe. Eis que tua mãe e teus irmãos estão fora e procuram falar-te. Jesus respondeu àquele que o avisou: 'Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?' E apontando para os discípulos com a mão, disse: 'Aqui estão minha mãe e meus irmãos, porque aquele que fizer a vontade de meu Pai que está nos Céus, esse é meu irmão, irmã e mãe.'"

E Jesus não apenas atingiu o patriotismo e os laços de família em nome do Deus Pai e da irmandade de toda a humanidade; fica claro que sua pregação condenava todas as gradações do sistema econômico, todas as riquezas e vantagens pessoais. Todos os homens pertenciam ao reino; todos os seus bens pertenciam ao reino; a vida virtuosa para todos os homens, a única virtude possível, era servir a vontade de Deus com tudo o que possuíssemos, com tudo o que fôssemos. Muitas e muitas vezes Jesus denunciou riquezas privadas e individualismos.

"Ao retomar seu caminho, alguém correu e ajoelhou-se diante dele, perguntando: 'Bom mestre, que farei para herdar a vida eterna?' Jesus respondeu: 'Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão só Deus. Tu conheces os mandamentos: Não mates, não cometas adultério, não roubes, não levantes falso testemunho, não defraudes ninguém, honra teu pai e tua mãe.' Então ele replicou: 'Mestre, tudo isso eu tenho guardado desde a minha juventude'. Fitando-o, Jesus o amou e disse: 'Uma só coisa te falta: vai, vende o que tens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me.' Ele, porém, contristado com essa palavra saiu pesaroso, pois era possuidor de muitos bens.

"
Então Jesus, olhando em torno, disse a seus discípulos: 'Como é difícil a quem tem riquezas entrar no Reino de Deus!' Os discípulos ficaram admirados com essas palavras, Jesus, porém, continuou a dizer: 'Filhos, como é difícil entrar no Reino de Deus! É mais fácil um camelo passar pelo fundo da agulha do que um rico entrar no Reino de Deus!'"

Além disso, em sua extraordinária profecia sobre esse reino que uniria todos os homens em Deus, Jesus demonstrou ter pouca paciência com a retidão de barganha da religião formal. Uma grande parte de seus discursos registrados critica a meticulosa observância de ritos religiosos. "Os fariseus, com efeito, e todos os judeus, conforme a tradição dos antigos, não comem sem lavar o braço até o cotovelo, e, ao voltarem da praça pública, não comem sem antes se aspergir, e muitos outros costumes que observam por tradição: lavação de copos, de jarros, de vasos de metal - os fariseus e os escribas o interrogam: 'Por que não se comportam os teus discípulos segundo a tradição dos antigos, mas comem o pão com as mãos impuras?' Ele lhes respondeu: 'Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está escrito:
'Este povo honra-me com os lábios,
'mas o seu coração está longe de mim.
'Em vão me prestam culto;
'as doutrinas que ensinam são apenas mandamentos humanos.
'Abandonais o mandamento de Deus, apegando-vos à tradição dos homens.' E dizia-lhes: 'Sabeis muito bem desprezar o mandamento de Deus para observar a vossa tradição'.
"

Jesus não proclamou uma revolução meramente moral e social; fica claro, a partir de uma série de indícios, que seus ensinamentos tinham uma intenção política bastante clara. É verdade que ele disse que seu reino não era deste mundo, que o reino estava no coração dos homens e não em um trono; mas também é evidente que, quando seu reino fosse instalado em alguma medida no coração dos homens, o mundo exterior seria revolucionado e renovado na mesma medida.

Por mais que os ouvintes de Jesus, surdos e cegos, não tenham compreendido os seus discursos, eles claramente compreenderam bem seu firme propósito de revolucionar o mundo. O teor da oposição que se levantou contra ele, as circunstâncias de seu julgamento e sua execução mostram com clareza que, aos olhos de seus contemporâneos, seu propósito evidente parecia ser, e era mesmo, transformar e unir e expandir a vida humana por inteiro.

Com base no que ele disse de forma clara, será de se admirar que todos os homens ricos e prósperos tenham se horrorizado e temido coisas estranhas, que seu mundo tenha sido ameaçado pelas coias que ele disse? Jesus estava expondo à luz de uma vida religiosa universal tudo o que eles haviam escondido na vida social. Ele era uma espécie de caçador implacável que tirava os seres humanos das tocas aconchegantes em que eles haviam vivido até então. No clarão de seu reino não haveria prosperidade, privilégio, orgulho ou primazia; não haveria motivos, a única recompensa seria o amor. Será de se admirar que os homens tenham ficado estonteados e ofuscados, que o tenham acusado? Até seus discípulos o acusaram, quando ele não os poupou da luz. Será de se admirar que os sacerdotes tenham percebido que entre Jesus e o sacerdócio não havia escolha, que um dos dois teria de perecer? Será de se admirar que os soldados romanos, confrontados e espantados com algo que pairava acima de sua compreensão e que ameaçava suas vidas rotineiras, tenham reagido com risos e zombarias, fazendo dele uma imitação de César, com uma coroa de espinhos e um manto púrpura? Pois levar Jesus a sério significava ingressar numa vida estranha e inquietante, abandonar hábitos, controlar instintos e impulsos, experimentar uma felicidade inacreditável...


Fonte: Uma Breve História do Mundo, H. G Wells, pag. 177.




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