A Igreja do Novo Testamento (Parte 5, Final) - As Ordenanças da Igreja
A seção final deste capítulo estuda uma área que tem sido foco de consideráveis controvérsias na história da doutrina cristã. A maioria dos grupos protestantes concordam entre si que Cristo deixou à Igreja duas observâncias - ou ritos - a serem incorporadas no culto cristão: o batismo nas águas e a Ceia do Senhor. (O protestantismo, seguindo os reformadores, tem rejeitado a natureza sacramental de todos os ritos menos os dois originais). Desde os tempos de Agostinho, muitos têm seguido a opinião de que tanto o batismo quanto a Ceia do Senhor servem como "sinal exterior e visível de uma raça interior e espiritual". O problema não está na prática dos ritos, mas na interpretação do seu significado (por exemplo, o que subentende uma "graça interior e espiritual"?). Estes ritos históricos da fé cristã são normalmente chamados sacramentos ou ordenanças. Alguns empregam os termos de modo intercambiável, ao passo que outros defendem que o entendimento correto das diferenças entre os conceitos é importante para a correta aplicação teológica.

O termo "sacramento" (que provém de sacramentum em latim) é mais antigo e aparentemente de uso mais generalizado que o termo "ordenança". No mundo antigo, um sacramentum referia-se originalmente a uma soma em dinheiro depositada num lugar sagrado por duas partes envolvidas num litígio. Pronunciada a sentença do tribunal, devolvia-se o dinheiro da parte vencedora, enquanto a perdedora tinha de entregar o seu para "sacramento" obrigatório, considerado sagrado porque passava a ser oferecido aos deuses pagãos. No decurso do tempo, o termo "sacramento" passou a ser aplicado também ao juramento de lealdade prestado pelos novos recrutas do exército romano. Já no século II, os cristãos tinham adotado o termo, e começaram a associá-lo ao seu voto de obediência e consagração ao Senhor. A Vulgata Latina (c. de 400 d.C.) emprega o termo sacramentum como tradução da palavra grega mustêrion ("mistério"), o que veio a acrescentar uma conotação um tanto reticente, misteriosa, às coisas consideradas "sagradas". Realmente, no decurso dos anos, os sacramentalistas tenderam, uns mais do que os outros, a ver os sacramentos como rituais que transmitem graça espiritual (freqüentemente "graça salvífica") a quem deles participa.

O termo "ordenança" também se deriva do latim (ordo - "uma fileira", "uma ordem"). Relacionada ao batismo nas águas e à Santa Ceia, a palavra "ordenança" sugere que essas cerimônias sagradas foram instituídas por mandamento, ou "ordem", de Cristo. Ele ordenou que fossem observadas na Igreja, não porque transmitem algum poder místico ou graça salvífica, mas porque simbolizam o que já aconteceu na vida de quem aceitou a obra salvífica de Cristo.

Devido, em grande parte, à conotação um tanto mística que acompanha a palavra "sacramento", a maioria dos pentecostais e evangélicos prefere o termo "ordenança" para expressar o seu modo de entender o batismo e a Ceia do Senhor. Já na era da Reforma, alguns levantavam objeções à palavra "sacramentos". Preferiam falar em "sinais" ou "selos" da graça. Tanto Lutero quanto Calvino empregavam o termo "sacramento", mas chamavam a atenção para o fato de que o usavam num sentido teológico diferente da implicação original da palavra em latim. O colega de Lutero, Philipp Melanchthon, preferia empregar o termo signis ("sinal"). Hoje, alguns que não se consideram "sacramentalistas", ou seja, que não acham que a graça salvífica seja transmitida através dos sacramentos, continuam usando os termos "sacramento" e "ordenança" de modo sinônimo. Devemos interpretar cuidadosamente o sentido do termo de acordo com a relevância e implicações atribuídas à cerimônia pelos participantes. As ordenanças, determinadas por Cristo e celebradas por causa do seu mandamento e exemplo, não são vistas pela maioria dos pentecostais e evangélicos como capazes de produzir por si mesmas uma mudança espiritual, mas como símbolos ou formas de proclamação daquilo que Cristo já levou a efeito espiritualmente nas suas vidas.


O Batismo nas Águas
A ordenança do batismo nas águas tem feito parte da prática cristã desde o início da Igreja. Era tão íntima da vida da Igreja Primitiva, que F. F. Bruce comenta: "A idéia de um cristão não batizado realmente sequer é contemplada no Novo Testamento". Existem, na realidade, alguns ritos batismais similares já antes do Cristianismo, inclusive entre algumas religiões pagãs e a comunidade judaica (para os "prosélitos" - gentios convertidos ao Judaísmo). Antes do ministério público de Jesus, João Batista enfatizava um "batismo de arrependimento" àqueles que desejassem entrar no prometido Reino de Deus. A despeito de algumas semelhanças com esses vários batismos, o significado e propósito do batismo cristão vai além de todos eles.

Cristo estabeleceu o modelo para o batismo cristão quando Ele mesmo foi batizado por João, no início de seu ministério público (Mt 3.13-17). Posteriormente, ordenou que seus seguidores saíssem pelo mundo, fazendo discípulos, "batizando-os em [gr. eis - 'para dentro de'] nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo" (Mt 28.19). Cristo, portanto, instituiu a ordenança do batismo, tanto pelo seu exemplo quanto pelo seu mandamento.

Um propósito importante do batismo nas águas, para os crentes, é que ele simboliza a identificação com Cristo. Os crentes neotestamentários eram batizados "para dentro" (gr. eis) do nome do Senhor Jesus (At 8.16), o que indica que estavam sob o senhorio e autoridade soberanos de Cristo. No batismo, o recém-convertido "testifica que estava em Cristo quando Cristo foi condenado pelo pecado, que foi sepultado com Ele e que ressuscitou para a nova vida nEle". O batismo indica que o crente morreu para o velho modo de viver e entrou na "novidade da vida" mediante a redenção em Cristo. O ato do batismo nas águas não leva a feito essa identificação com Cristo, "mas a pressupõe e a simboliza". O batismo, portanto, simboliza a ocasião em que aquele antes inimigo de Cristo faz "sua rendição final".

O batismo nas águas também significa que os crentes se identificaram com o corpo de Cristo, a Igreja. Os crentes batizados são admitidos na comunidade da fé e, com sua atitude, testificam publicamente diante do mundo sua lealdade a Cristo, juntamente com o povo de Deus. Essa parece ser uma das razões principais por que os crentes neotestamentários eram batizados quase imediatamente após a conversão. Num mundo hostil à fé cristã, era importante que os recém-convertidos tomassem posição lado a lado com os discípulos de Cristo e se envolvessem imediatamente na vida total da comunidade cristã. Talvez um dos motivos por que o batismo com água não ocupa mais lugar de destaque em muitas igrejas seja por estar tão freqüentemente separado do ato da conversão. O batismo é mais que ser obediente ao mandamento de Cristo. Relaciona-se com o ato de se tornar seu discípulo.

Historicamente, são três as formas principais de batismo: a imersão, a afusão (derramamento) e a aspersão. A maioria dos estudiosos do Novo Testamento concorda que o significado essencial do verbo baptizõ é "imergir", ou "submergir". Um dos documentos cristãos mais antigos, fora do Novo Testamento, o Didaquê, registra as primeiras instruções conhecidas que permitem o batismo por outro método que não seja a imersão. Depois de oferecer instruções pormenorizadas para o batismo - deveria ser realizado em "água corrente" ou, caso não houvesse, deveria ser utilizada água fria (e, como derradeira alternativa, água morna); deveria empregar a fórmula trinitariana, etc. - o Didaquê aconselha que, não havendo água suficiente para a imersão, deve-se "derramar água na cabeça três vezes, 'em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo'". A aspersão começou a ser usada já no século III, mormente nos casos de batismos clínicos (para aqueles já próximos da morte e que desejavam o batismo cristão). Embora a imersão seja o modo geralmente aceito entre os evangélicos (inclusive os pentecostais), talvez ocasiões incomuns aconselhem o uso de outro método, como ao se batizar uma pessoa de idade avançada ou fisicamente incapaz. O método jamais deverá tornar-se mais importante que a identificação espiritual com Cristo na sua morte e ressurreição, que é simbolizada pelo batismo.

Uma questão que tem levado a muitas controvérsias, na história do Cristianismo, diz respeito aos candidatos ao batismo. Deve a Igreja batizar os bebês e filhos pequenos dos seus membros, ou somente os que crêem, ou seja: os que de modo consciente e racional podem fazer a decisão de aceitar a Cristo? É uma questão complexa, e boa parte do problema tem sua origem na dúvida entre ser o batismo um sacramento ou uma ordenança. O próprio ato em si mesmo transmite graça (sacramento) ou simboliza a graça já transmitida (ordenança)? Desde os primeiros pais da Igreja, argumentos têm sido levantados a favor e contra o batismo infantil. No século III, por exemplo, Orígenes asseverou que "a Igreja recebeu uma tradição que ordena batizar até mesmo as criancinhas". Ao mesmo tempo, porém, Tertuliano argumentou contra o batismo de crianças: "Por que a idade da inocência se apressa para obter a remissão dos pecados?" Tertuliano declarou, ainda: "Deixe, portanto, que venham depois de mais crescidos, e então poderão aprender e ser ensinados quando devem vir; deixe-os tornar-se cristãos quando tiverem a capacidade de conhecer a Cristo". A maioria das declarações feitas pelos primeiros pais da igreja sobre a questão não são suficientemente explícitas para determinar com certeza as atitudes da Igreja antiga. Muitos dos argumentos usados pelas duas partes envolvidas são baseados no silêncio e na conjectura.

Desde os tempos medievais, cristãos têm praticado o batismo de crianças. A prática tem sido usualmente justificada por três argumentos principais. O primeiro é a sugestão de ser o batismo de crianças o equivalente neotestamentário da circuncisão do Antigo Testamento. Nesta condição, é considerado um rito de admissão na comunidade pactual dos crentes e concede aos batizados todos os direitos e bênçãos das promessas da aliança. Embora o paralelo pareça razoável, falta-lhe apoio bíblico sólido. É certo que a Bíblia não está substituindo o batismo pela circuncisão, em Gálatas 6.12-18.

O segundo argumento em apoio ao batismo infantil é o apelo aos batismos de "famílias" na Bíblia, a que Joachim Jeremias chama fórmula oikos. Por exemplo: textos como Atos 16.15 (a casa de Lídia) e 16.33 (a casa do carcereiro filipense) e 1 Coríntios 1.16 (a casa de Estéfanas) significam, segundo se infere, que pelo menos algumas dessas famílias incluíam crianças pequenas entre os batizados. De novo, trata-se em grande medida de um argumento do silêncio, baseado mais em conjecturas do que no que é declarado. Poderíamos inferir, com igual probabilidade, que os leitores bíblicos teriam entendido que os batismos de famílias inteiras incluíam somente os que pessoalmente haviam aceitado Cristo como Salvador, pois todos "creram" e todos "se alegraram" (At 16.34).

Um terceiro argumento freqüentemente empregado é o do pecado original. A criança nasce com a culpa e precisa do perdão, que vem por meio do batismo. Essa idéia, entretanto, baseia-se em grande parte na teoria de que os seres humanos herdam biologicamente o pecado (por contraste ao pecado a eles imputado de modo representativo) e que o batismo tem o poder de realizar uma espécie de regeneração sacramental. No tocante à remissão do pecado original pelo batismo, Oliver Quick observa, com certa sagacidade: "Pelo menos dentro daquilo que a experiência consegue demonstrar, as tendências pecaminosas ou defeitos espirituais de uma criança batizada e de uma não batizada são bem semelhantes entre si".

Conforme já foi sugerido, a maioria dos que sustentam ser o batismo uma ordenança, e não um sacramento, acredita que o batismo deve ser ministrado apenas aos crentes nascidos de novo. E note-se que até mesmo alguns dos teólogos não-evangélicos de maior destaque no tempos modernos, que geralmente sustentam uma teologia sacramentalista, também têm rejeitado a prática do batismo infantil. O batismo significa uma grande realidade espiritual (a salvação) que tem revolucionado a vida do crente. Mesmo assim, o símbolo em si mesmo não deve ser elevado ao nível daquela realidade superior.


A Ceia do Senhor
A segunda ordenança da Igreja é a Santa Ceia ou Santa Comunhão. Assim como o batismo, esta ordenança tem feito parte do culto cristão desde o ministério terrestre de Cristo, quando Ele próprio instituiu o rito na refeição da Páscoa, na noite em que foi traído. A Ceia do Senhor tem alguns paralelos em outras tradições religiosas (tais como a Páscoa judaica; outras religiões antigas também se valiam de refeições sacramentais para se identificar com suas deidades), mas ela vai muito além quanto ao seu significado e importância.

Seguindo as instruções dadas por Jesus, os cristãos participam da Comunhão em "memória" dEle (Lc 22.19,20; 1 Co 11.24,25). O termo traduzido por "lembrança" (gr. anamnêsis) talvez não signifique exatamente o que o leitor está imaginando. Hoje, lembrar-se de alguma coisa é pensar numa ocasião passada. O modo neotestamentário de entender anamnêsis é exatamente o inverso: significa "transportar uma ação enterrada no passado, de tal maneira que não se percam a sua potência e a vitalidade originais, mas sejam trazidas para o momento presente". Semelhante conceito é refletido até mesmo no Antigo Testamento (cf. Dt 16.3; 1 Rs 17.18).

Na Ceia do Senhor, talvez possamos sugerir um tríplice sentido de lembranças: passado, presente e futuro. A Igreja se reúne como um só corpo à mesa do Senhor, relembrando a sua morte. Os próprios elementos usados de modo simbólico na Comunhão representam o derradeiro sacrifício de Cristo, no qual Ele entregou seu corpo e sangue para redimir os pecados do mundo. Existe ainda um sentido bem presente, o convívio espiritual com Cristo à sua mesa. A Igreja vem proclamar não um herói morto, mas um Salvador ressuscitado e vencedor. A expressão: "mesa do Senhor" sugere estar Ele presente como o verdadeiro anfitrião, aquele que transmite o sentido de terem os crentes, nEle, segurança e paz (ver Sl 23.5). Finalmente, há um sentido futuro neste relembrar, sendo que a comunhão da qual o crente agora participa com o Senhor não é o ponto final. Neste sentido, a Ceia do Senhor tem uma dimensão escatológica. Ao participarmos dela, antecipamos a alegria pela sua segunda vinda e pela reunião da Igreja com Ele para toda a eternidade (cf. Mc 14.25; 1 Co 11.26).

A comunhão com Cristo também denota comunhão com o seu corpo, a Igreja. O relacionamento vertical entre os crentes e o Senhor é complementado pela comunhão horizontal de uns com os outros. Amar a Deus está vitalmente associado com o amar ao nosso próximo (ver Mt 22.37-39). Uma comunhão tão perfeita com os nossos irmãos e irmãs em Cristo exige o rompimento de todas as barreiras (sociais, econômicas, culturais, etc.) e o ajustamento de qualquer detalhe que tenda a destruir a verdadeira união. Somente assim a Igreja poderá genuinamente participar (ou ter koinõnia) do corpo e sangue do Senhor e ser verdadeiramente um só corpo (1 Co 10.16,17). Esta verdade é vividamente ressaltada por Paulo, em 1 Coríntios 11.17-34. Uma ênfase importante do apóstolo nessa passagem é o exame que os crentes devem fazer da sua conduta e motivos espirituais antes de participar da Ceia do Senhor - levando em conta sua atitude para com o próprio Senhor e também para com os demais membros do corpo de Cristo.

Por ser a Ceia do Senhor uma verdadeira comunhão de crentes, a maioria das igrejas, nas tradições pentecostais e evangélicas, praticam a comunhão aberta. Significa que todos os crentes nascidos de novo, independente das suas diferenças menos relevantes, estão convidados a se reunir com os santos em comunhão com o Senhor à sua mesa.

Embora a maioria dos crentes concorde que o Senhor está presente à sua mesa, sua presença é interpretado de diferentes maneiras. A maioria dos cristãos harmoniza seus pontos de vista sobre este assunto com uma entre estas quatro tradições: católica romana, luterana, zuingliana e calvinista (reformada). Cada uma destas será considerada resumidamente.

A doutrina católica roamna, oficialmente adotada no Quarto Concílio Laterano (1215) e reafirmada no Concílio de Trento (1551), é chamada transubstanciação. Este posicionamento teológico ensina que, quando o sacerdote abençoa e consagra os elementos - o pão e o vinho - ocorre uma mudança metafísica, e modo que o pão é transformado no corpo de Cristo, e o vinho, no seu sangue. O termo "metafísica" é usado porque a Igreja Católica ensina que características como a aparência e o sabor dos elementos (ou os "acidentes") permanecem os mesmos, mas que a essência interior, a substância metafísica, foi transformada. Fazem uma interpretação muito literal das palavras de Jesus: "Isto é o meu corpo... Isto é o meu sangue" (Mc 14.22-24), os católicos acreditam que a totalidade de Cristo está plenamente presente dentro da substância dos elementos. Como conseqüência, aquele que participa da hóstia consagrada está recebendo expiação dos pecados venais, ou seja: dos pecados perdoáveis (por contraste aos pecados mortais).

Uma segunda posição teológica provém dos ensinos de Martinho Lutero. Celebrando sua primeira missa como jovem sacerdote católico, Lutero chegou às palavras que proclamavam que um novo sacrifício de Cristo estava sendo apresentado: "Oferecemos a Ti, o Deus vivo, verdadeiro e eterno". Lutero, segundo suas próprias palavras, ficou totalmente estupefato e aterrorizado... Quem sou eu, para levantar meus olhos à Majestade divina, ou erguer minhas mãos contra Ele? ... será que eu, um mísero pigmeu, vou dizer: "Quero isso, peço aquilo?" Pois eu sou pó e cinzas, e cheio de pecado, e estou falando ao Deus vivo, verdadeiro e eterno.

Reconhecendo que nenhum ser humano tem o poder sacerdotal para levar a efeito a mudança do pão e do vinho para o corpo e o sangue de Cristo, Lutero estava a caminho de um rompimento final com a Igreja Católica Romana, juntamente com sua doutrina da transubstanciação. Embora Lutero rejeitasse outras facetas da doutrina católica a respeito da Ceia do Senhor, não rejeitou totalmente a idéia de que o corpo e o sangue de Cristo estivessem presentes. Lutero ensinava que o corpo e o sangue de Cristo estão "com, dentro de e abaixo de" os elementos do pão e do vinho, doutrina esta que posteriormente veio a ser chamada consubstanciação. Talvez possamos dizer que esta teoria, assim como a doutrina católica da transubstanciação, continua sendo altamente sacramental e ainda entende por demais literalmente as palavras figuradas de Cristo a respeito do seu corpo e sangue.

Um contemporâneo de Lutero que divergia dele na questão da presença de Cristo na Comunhão era Ulrich Zuínglio. A posição zuingliana é mais conhecida hoje como teoria memorial. Enfatiza que a Comunhão é um rito que comemora a morte do Senhor e a sua eficácia para o crente. Neste sentido é um sinal que aponta de volta para o Calvário. Zuínglio rejeitava qualquer noção da presença física de Cristo à sua mesa (quer transformada nos elementos, quer junto com os elementos). Ensinava, pelo contrário, que Cristo estava espiritualmente presente para os da fé. Muitos dos seguidores de Zuínglio eram tão fervorosos na sua rejeição à idéia da presença física de Cristo que, com efeito, repudiavam até mesmo a idéia de Cristo estar espiritualmente presente no culto da Comunhão. Por essa razão, muitos seguidores desse conceito tendem ressaltar que a Ceia do Senhor é uma cerimônia comemorativa na qual o crente relembra a obra de Cristo na expiação.

A quarta opinião teológica principal a respeito da Ceia do Senhor é a calvinista, ou reformada. Assim como Zuínglio, João Calvino rejeitava totalmente a idéia de Cristo estar fisicamente presente nos elementos ou com eles. Mais que Zuínglio, porém, Calvino enfatizava grandemente a presença espiritual de Cristo à sua mesa. Entendia que se tratava de uma presença dinâmica (semelhante ao significado do temro grego anamnêsis) mediante o poder do Espírito Santo. A opinião teológica reformada ressalta que a eficácia da morte sacrificial de Cristo é aplicada e tomada relevante ao crente que participa da Comunhão com uma atitude de fé e confiança em Cristo.

Além dessas quatro opiniões concernentes à Ceia do Senhor, muitas modificações e combinações entre elas são sustentadas pelos cristãos contemporâneos. Esse fato fica especialmente evidente dentro dos movimentos pentecostais e carismáticos. O entendimento teológico de muitos dos seus membros tem sido grandemente influenciado pela antiga associação com organizações eclesiásticas mais tradicionais ou litúrgicas. É provável que a maioria dos pentecostais se sinta teologicamente mais à vontade com as posições expressas por zuinglianos ou reformados. Seja como for, todos os cristãos hoje devem levar a sério a ênfase e a instrução bíblicas sobre as duas ordenanças - o batismo nas águas e a Ceia do Senhor - e regozijar-se porque o seu significado continua sendo tão relevante e aplicável como o era para a Igreja do Novo Testamento.


Fonte: Teologia Sistemática, CPAD. Stanley M. Horton




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