Outros Links
A Lenda do Suicídio de Lutero

Publicado neste site no dia:
24 de Dezembro de 2015, Quinta Feira, 14h13

Apologistas e meros editado[1] católicos não cansados em caluniar Lutero como um blasfemador, homicida, herege, e alcoólatra, também andam a espalhar que o reformador teria se suicidado, seja por ter sido de tanto beber, ou por ter se enforcado. Na verdade nenhum historiador honesto ousa afirmar isso, nem mesmo os primeiros biógrafos de Lutero que eram inclusive católicos insinuaram levianamente essa hipótese. Mais de 40 anos depois da morte de Lutero boatos lendários começaram a surgir e foram prontamente refutados por peritos, historiadores e escritores tanto protestantes quanto católicos que se indignaram com as histórias inventadas acerca do suposto suicídio de Lutero.

Mas, como surgiu o boato e como se desenvolveu a lenda? A propagação da mentira se deu pelo padre Majunke cerca de 300 anos depois da morte de Lutero se baseando em relatos sem qualquer credibilidade supostamente colhidos por Thomas Bozio em 1591. Ambos foram esmagadoramente refutados em suas respectivas épocas com provas testemunhais e legalmente registradas.

Séculos depois, um historiador e biografo muito citado pelos católicos para caluniar Lutero, em sua obra Martim Lutero, diz:

"Os dois médicos, que o tinham tratado nos últimos momentos, não puderam chegar a um acordo sobre a causa de sua morte, opinando um por um ataque de apoplexia, outro por uma angina pulmonar." (FUNCK-BRENTANO, Frantz. Martim Lutero. 3. ed. Rio de Janeiro: Vecchi, 1968, p. 277.)

Tal afirmação já seria o suficiente para derrubar a alegação de que Lutero teria se suicidado, ainda mais sendo testificada por um site de apologética católica como o Vertitatis (aqui). Mas ainda assim costumeiramente de maneira virulenta alguns ainda levantam tal suposição de suicídio, e contra isso vamos aos fatos já documentados e aceitos como incontestáveis.


O autor da lenda:
"O livro de Thomas Bozio, De signis ecclesiae [Os sinais da Igreja] (Roma, 1591), foi a primeira representação literária da lenda sobre o suicídio de Lutero que suscitou uma vigorosa controvérsia sobre a morte de Lutero que continuou até cerca de 1688. Os protestantes contribuíram com nove, e os polêmicos católicos com vinte e seis trabalhos. A controvérsia foi novamente posta em debate apenas em 1889 por Majunke, porém Majunke foi refutado tão completamente por Nikolaus Paulus em 1896 que a lenda tem raramente se aventurado a mostrar-se na literatura mais uma vez" [Heinrich Boehmer, Lutero e a Reforma na Luz de Investigação Modern (Londres:. G. Bell and Sons LTD, 1930) pp 361-362].


O propagandista da lenda:
"A história do suicídio de Lutero foi revivida por P. Majunke (RC) em seu Lebensende [Fim da Vida], Mainz de Lutero, 1890; . 5º ed, 1891. Ele foi refutado por [protestantes]: E. Bliimel em Luthers Lebensende, Barm de 1890.;
G. Kawerau, em Lebensende de Lutero, Barm de 1890.;T. Kolde, em Luthers Selbstmord, Leipz de 1890.; G. Rietschel, em Luthers sel. Heimgang, Halle, 1890;FW Schnbart, em Wie starb M. Luther, Dess., 1892. Após uma investigação exaustiva de todas as provas, um estudioso católico romano, W. Panlus, em sua obra Luthers Lebensende nnd der Eislebener Apotheker, Mainz, 1896 (see Th. Litz., 1897, No. 11) e, especialmente, em seu trabalho Luthers Lebensende, Freib. i. B., 1897, chegou a mesma conclusão que os adversários protestantes de Majunke e dá um golpe final para a lenda. Philip Schaff dá um resumo do caso em seu artigo "Did Luther Commit Suicide?" no Mag. da Chr. Lit., N. Y., dezembro de 1890, 161 ff. [fonte].
"


Refutando a Lenda sobre o Suicídio de Lutero:
Durante o curso de 1890, o Rev. Paul Majunke um padre católico romano de Hochkirch, próximo a Glogau ou no leste da Prússia, publicou um trabalho sobre "O Fim da vida de Lutero" (Mainz, Kupferberg, 1890).

Majnnke então, um padre, anteriormente era editor do jornal Germania e outros jornais católicos romanos, e um membro da Câmara dos Deputados da Prússia, e do Reichstag alemão. No panfleto referido ele tentou provar por "investigação histórica" ​​que Lutero, como normalmente se acreditava, não morreu de morte natural mas, cometeu suicídio e que o fato foi escondido por aqueles que conheciam a verdade do fato. O panfleto de Majunke causou muita alegria em círculos ultramontanos, tendo muitas tiragens de panfletos e artigos.

O professor Kostlin de Halle, professor Eawerau de Kiel, e o professor Kolde de Erlangen, com outros, no entanto, demoliram com sucesso a "casa construída sobre a areia", e a história "engenhosamente arquitetada" foi exposta. Majunke publicou uma resposta ao Prof. Kolde e seus outros críticos, intitulada Die Historische Kritik über Luthert Leben Ende (Mainz, 1890). A réplica do Professor Erlangen, Noch einmal Luthers Selbstmord, foi esmagadora.

A morte de Lutero teve lugar na manhã de 18 de fevereiro de 1546. O evento foi inesperado, e sua morte repentina foi muito comentada em diante, não só pelos amigos, mas pelos inimigos da Reforma. Uma descrição professada dos incidentes relacionados com o exame do corpo do Reformador por Civis Manefeldensii tomada de maneira rude, é dada pelo primeiro biógrafo Católico Romano de Lutero, Cochlaeus, nas edições posteriores da obra, De Actit et Seriptit Lutheri, publicado em 1565 e 1567 que não se encontra na primeira edição, publicada em 1549. Mas, mesmo a descrição de um correspondente anônimo não sugeriu Lutero tendo cometido suicídio.

O Professor Kolde prova conclusivamente que nenhum historiador católico romano do século XVI se aventurou em expressar qualquer dúvida a respeito da veracidade da "história" elaborada pelo Dr. Justus Jonas e os amigos presentes na ocasião. São os historiadores católicos romanos desse século, que estão cheios de tais expressões de caridade como que "ele entregou sua alma ao diabo", e que ele "desceu a Satanás". Escritores romanistas do próximo século retratam Lutero como tendo morrido em torturas, ou que, como Arius, derramou suas entranhas.

Majunke afirma que a única descrição do final de Lutero que os biógrafos dele usaram é a "história" elaborada pelo Dr. Justus Jonas. A declaração, como Kolde aponta, é falsa. Justus Jonas elaborou uma carta ao eleitor às quatro horas da manhã, nem duas horas após Lutero ter expirado. Essa carta afirma que estavam presentes na sua morte o Perito Judicial, Coelins, J. Jonas, dois filhos mais novos de Lutero, Paul e Martin, seu servo Ambrósio, seu senhorio Hans Albrecht, o tabelião, o conde Albrecht de Mansfeld e sua esposa, Conde Schwarz- von burg, e dois médicos.

Duas cartas são sobreviventes, escritas também ao mesmo tempo para o eleitor pelo próprio conde Albrecht a ele mesmo, e pelo Príncipe Wolfgang de Anhalt. Outra carta, escrita no mesmo dia, por Aurifaber, aumenta o número de testemunhas oculares para dezesseis, entre os quais estavam Aurifaber, ele mesmo e o Conde Hans George de Mansfeld, desde o último dos quais também há uma carta escrita no mesmo dia para o Duque Mauricio da Saxônia. Além disso, há outra carta escrita no mesmo dia por J. Friedrich, Conselheiro de Eisleben, a seu tio, o bem conhecido J. Agrícola. Friedrich não era uma testemunha ocular, mas ele dá a opinião médica dos médicos, que atribuiu a morte a um ataque de paralisia, causada pelo fechamento de uma ferida na perna a partir do qual o reformador sofreu durante anos.

O perito judicial, Coelius, entregou em 20 de fevereiro o primeiro discurso no túmulo, no qual ele menciona que o cadáver do Reformador tinha sido visto por um grande número de pessoas, que se aglomeravam para ver os seus restos mortais quando o triste acontecimento foi anunciado. Algum tempo depois, a "história" ou Relatório da morte cristã de Lutero foi elaborado a pedido do eleitor por J. Jonas e M. Coelius. Os fatos referidos no Relatório são confirmados por elementos de prova já referidos, todos os quais são totalmente suprimidos por Majunke.

Quarenta e três anos após a morte de Lutero, Thomas Bozius em 1593 afirmou em seu De Signa Eccleiiœ, que tinha ouvido a partir do testemunho de alguém que tinha quando era garoto, sido um servo de Lutero, que Lutero se enforcou com uma corda. O mesmo escritor afirma que vários dos reformadores tiveram mortes horríveis. Johannes Oekolampad foi estrangulado, Calvino morrera de uma terrível doença, enquanto um demônio horrível assustou todos aqueles que estavam presentes no leito de morte de Martin Bucer.

Bozius é a primeira autoridade em que Paul Majunke recorre. Um relato mais completo é dado por Sednlius, em sua Prcetcriptionei adtv Heresies(Antwerp, 1606), 60 anos depois da morte de Lutero, que é reproduzido como a autoridade mais completa e mais confiável no panfleto de Majunke, pp. 95-97. O nome do informante, no entanto não é dado, e o escritor mostra sua aptidão para o trabalho de um historiador, por estabelecer como igualmente confiável outra descrição (suprimido sem aviso prévio por P. Majunke), por um homem cujo nome é dado, Tileman Bredebach, escrito em 1587, que afirma que:

"todos os endemoninhados, em seguida, no santuário de St. Dymna em Brabant na esperança de ser curado por esse santo, foram libertados dos maus espíritos no dia em que Lutero foi enterrado, e foram novamente possuído pelos espíritos malignos no dia a seguir; a razão de ser, como descoberto por devidos interrogatórios, foi que o príncipe dos demônios convocou-os para assistir ao funeral de Martinho Lutero, o que fizeram na forma de corvos, que em números incríveis acompanharam o cadáver de Lutero ao seu último lugar de descanso!"

Tais são as autoridades de Majunke tão citadas e reproduzidas erroneamente pelos romanistas sem nenhuma base histórica e todas fantasiosas e lendárias. Outras graves imprecisões de fato abundam no seu trabalho. É importante colocar essas distorções no registro, pois tais acusações são muitas vezes criadas por aqueles que desejam depravar o caráter dos reformadores.


Att: Elisson Freire.


Fonte: James Swan - Luther's Suicide (Beggars All)
Traduzido e editado por Elisson Freire - Resistência Apologética.

Agradecimentos: Fabio Jefferson

Edições realizadas por Marcell de Oliveira
[1] A palavra foi editada por ser ofensiva.





Links Relacionados




[Perguntas e Respostas] Lutero Adicionou a Palavra "Somente" em Romanos 3.28?
Oi irmão Marcell a paz!!!
Romanos 3.28 diz: "Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei." Os católicos dizem que Lutero adicionou a palavra "somente" em Romanos 3.28 para ensinar a doutrina da Sola Fide. Embora, nas nossas Bíblias atualmente não constam a palavra "somente" e na Bíblia que a Igreja Luterana usa atualmente também não consta. É verdade que Martinho Lutero acrescentou a palavra "somente" em Romanos 3.28? Por favor me explique.


[Perguntas e Respostas] Martinho Lutero Era Maçom?
Olá, Graça e Paz de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo; eu tenho uma pergunta sobre o Selo de Lutero e seu significado...é um símbolo Maçônico? Existe algum relato de Martinho Lutero ser ou não, Maçom? desde já agradeço...


[Outras Obras] Elementos da Santa Ceia
Uma consideração sobre o uso dos elementos na Santa Ceia, a partir da Dogmática Luterana do Müller, da Bíblia, da Apologia da Confissão de Augsburgo e Catecismo Maior de Lutero.

* Arquivo em PDF contendo 22 páginas. Aproximadamente 355Kb.


[Outras Obras] Luteranismo Brasileiro: Origens, Condicionantes e Perspectiva da Igreja Luterana no Brasil
Luteranismo Brasileiro é fruto de pesquisa histórica e os fatos são reais. Contudo, as reflexões e considerações acerca destes fatos, salvo exceções quando indicadas por
citações, refletem a opinião pessoal do autor.

Copyright 2014 por Lauro Schneider
Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução sem a autorização por escrito do autor, salvo exceção quando se destinar para estudos bíblicos.
* Arquivo em PDF contendo 30 páginas. Aproximadamente 500kb. Livro incompleto. Para adquirir um exemplar entre em contato comigo.


[Outras Obras] Lutero: Defensor dos Judeus ou Anti-Semita?
Exercícios a partir de textos de Lutero. De Walter Altmann da Escola Superior de Teologia em São Leopoldo - RS;

* Arquivo em PDF contendo 9 páginas. Aproximadamente 315kb.


[Artigos Interessantes] Martinho Lutero: Mais Católico do que Evangélico?
Julio Severo
Sou admirador de um dos maiores "católicos" que o mundo já conheceu. Ele foi um monge que ao ler Romanos, compreendeu que a palavra grega comumente traduzida como "penitência" tinha um significado diferente dos costumes religiosos da época. Entendendo que a tradução certa era "arrependimento," não "penitência," ele teve uma caminhada que o conduziu a confrontar seus dilemas interiores e o modo como a religião e a Bíblia viam de modo diferente um mesmo assunto: arrepender-se dos pecados diante de Deus. As confrontações levaram às 95 teses, que denunciavam os abusos cometidos contra a população. Muitos dos abusos envolviam enriquecimento do clero católico à custa de temores religiosos do povo.


[Artigos Interessantes] Livro com Anotações de Lutero é Descoberto na França
Um livro de Martinho Lutero, com anotações escritas à mão, foi descoberto na Biblioteca Humanista de Sélestat (nordeste da França), escondido na coleção de um estudioso da Renascença, Beatus Rhenanus. Esta descoberta permitiu identificar um "elo perdido", porque "como ignorávamos a existência dessas correções manuscritas de Martinho Lutero, não considerávamos a sua vontade para uma edição definitiva", explicou James Hirstein, professor universitário Estrasburgo, que encontrou o livro.


[Artigos Interessantes] Bento XVI Elogia a Paixão Cristã do Pensador Protestante Martin Lutero
ERFURT, Alemanha — O Papa Bento XVI prestou homenagem nesta sexta-feira a Martin Lutero, ao enfatizar a paixão profunda pelas questões de Deus do promotor da Reforma Protestante, em um gesto simbólico em relação aos protestantes na cidade Erfurt (leste), onde surgiu este movimento de cisma da Igreja católica. "O que não dava paz (a Lutero) era o assunto de Deus, que era a paixão profunda e a força de sua vida e seu total itinerário. (...) O pensamento de Lutero, sua espiritualidade inteira, estavam completamente centrados em Cristo", declarou o Papa, em um discurso pronunciado a portas fechadas no convento dos Agostinianos, onde o pensador da Reforma viveu seis anos.


[Artigos Interessantes] Lutero e os Judeus
Repórter - Li em algum lugar que há quase duzentos anos, em meados do século 14, um judeu foi colocado em tormento na cidade francesa de Chilon para admitir que seus irmãos de raça haviam provocado a famigerada peste negra, envenenando os poços. Lutero - Isso de fato aconteceu em setembro de 1348. O pobre homem, em sua agonia, acabou concordando com o torturador para ficar livre do sofrimento. Baseada nessa falsa confissão, não somente na França, mas também em todo o norte da Europa, os judeus sofreram uma forte perseguição: eram proibidos de possuir terras, de trabalhar como artesãos e de praticar vários outros ofícios. Muitos foram assassinados em toda parte, inclusive em Estrasburgo, Stuttgart, Dresden, Frankfurt, aqui na Alemanha. Depois de três anos e 350 massacres, dezenas de milhares de judeus foram mortos e mais de duzentas comunidades, aniquiladas. (1)


[Artigos Interessantes] Textos Originais Escritos por Lutero são Roubados de Museu
Três valiosos escritos de Martinho Lutero (1483-1546) foram roubados das vitrines de uma casa onde o impulsionador da Reforma viveu, na cidade de Eisenach, Alemanha. O local foi transformado em um museu e albergue na década de 1950. A casa de Lutero, que foi assaltada, servia, segundo a igreja da Turíngia, para "mostrar a carreira e a obra do grande reformador da igreja alemã e o torná-lo compreensível". Seu foco era a tradução da Bíblia por Lutero e sua "influência na educação do povo alemão e de toda a Europa".


[Artigos Interessantes] Por Que Lutero Tornou-se um Anti-Semita?
Em 1523, Martim Lutero escreveu:
"Talvez eu consiga atrair alguns judeus para a fé cristã, pois nossos tolos, os papas, bispos, sofistas e monges... até agora os têm tratado tão mal que... se fosse judeu e visse esses idiotas cabeças-duras estabelecendo normas e ensinando a religião cristã, eu preferiria ser um porco a ser cristão. Pois esses homens trataram os judeus como cães, e não como seres humanos." [1] Essa declaração foi feita no início do período da Reforma, quando Lutero ainda era muito jovem. Nos anos seguintes, entretanto, ele ficaria cada vez mais irritado com o fato de que os judeus, ao lado de quem ele se colocara contra os preconceitos da Igreja Católica Romana, recusavam-se terminantemente a se converter ao Cristianismo.


[Estudos] - Lutero e a Educação Cristã na Contemporaneidade
O presente artigo tem como objetivo levantar uma reflexão sobre o papel da igreja na contemporaneidade com relação à fomentação de uma educação verdadeiramente cristã. Para tanto, parte-se de uma sucinta análise do primeiro motivo para o investimento em escolas cristãs apresentado por Martinho Lutero (1483-1546) em sua carta aberta "Aos Conselhos de todas as cidades da Alemanha para que criem e mantenham escolas cristãs" de 1524. Após tal análise textual, faz-se uma crítica ao modelo educacional vigente, especialmente em nosso país. Conclui-se o artigo com uma reflexão sobre a necessidade urgente de formar uma nova geração de cristãos capazes de professarem sua fé em meio à sua atuação na sociedade.


[Estudos] A Mariologia de Lutero
I. INTRODUÇÃO

- Lutero era um devoto de Maria?
O teólogo católico romano Joseph Lortz uma vez comentou: "É uma tarefa difícil tentar uma interpretação válida e abrangente até mesmo dos elementos mais básicos do pensamento de Lutero no âmbito de um artigo. Ninguém mais como Lutero é fácil de ser esboçado distorcidamente, fato que encontrou formulação em uma declaração conhecida de Heinrich Boehmer: 'Existem tantos Luteros, uma vez que existem livros sobre Lutero.' [1]" Na verdade, a paisagem teológica é cheia de Luteros. Uma busca rápida para obter informações sobre Martinho Lutero na internet, nos revela que polêmicas contra Lutero permanecem de alta-frequência como em diferentes grupos que criam o vilão que encontram em seus escritos. Os elementos básicos do pensamento de Lutero no entanto geralmente estão em falta, distorcendo o homem, sua teologia, e seu impacto sobre a sociedade pós-Reforma.


[Estudos] A Teologia de Martinho Lutero
Antes de continuar narrando a vida de Lutero e seu trabalho reformador, devemos nos deter para considerar a sua teologia, que foi a base dessa vida e dessa obra. Ao chegar o momento da dieta de Worms, a teologia do Reformador havia alcançado sua maturidade. Então a partir daí, o que Lutero fez foi simplesmente elaborar as conseqüências dessa teologia. Portanto, este parece ser o momento adequado para interromper nossa narrativa, e dar ao leitor uma idéia mais adequada da visão que Lutero tinha da mensagem cristã. Ao contarmos sua peregrinação espiritual, dissemos algo sobre a doutrina da justificação pela fé. Porém essa doutrina, apesar de ser fundamental, não é a totalidade da teologia de Lutero.


[Estudos] Conversas à Mesa com Lutero (Parte 1): Palavra de Deus
I
Que a Bíblia é a palavra de Deus e o seu Livro, eu o provo desta forma: Todas as coisas que existiram e existem no mundo e a forma sob a qual existem encontram-se descritas no primeiro livro de Moisés sobre a criação; exatamente como Deus criou e deu forma à terra, e assim a terra permanece até hoje. Potentados infinitos se iraram contra esse livro e tentaram destruí-lo e exterminá-lo – o rei Alexandre Magno, os príncipes do Egito e da Babilônia, os monarcas da Pérsia, da Grécia e de Roma, os imperadores Júlio e Augusto – porém eles não prevaleceram; estão todos liquidados e extintos, enquanto que o Livro permanece e permanecerá para sempre, perfeito e intacto, como foi dito primeiro. Quem o assim auxiliou – quem o assim protegeu contra tais forças poderosas? Com certeza ninguém, a não ser Deus mesmo que é o senhor de todas as coisas. E não se trata de um milagre pequeno Deus tem preservado e protegido esse Livro; pois o diabo e o mundo são-lhe inimigos furiosos. Acredito que o maligno tenha destruído muito bons livros da igreja, da mesma forma que outrora matou e destruiu muitas pessoas piedosas, cuja memória agora está esquecida, porém a Bíblia Deus de bom grado deixou subsistir. Da mesma forma, o batismo, o sacramento do altar, o verdadeiro corpo e sangue de Cristo e o ofício da pregação permaneceram até nós, a despeito de uma infinidade de tiranos e de perseguidores heréticos. Deus, pelo seu poder único, conservou tais coisas; vamos, então, sem medo de impedimento batizar, administrar o sacramento e pregar. Homero, Virgílio e outros escritores nobres, finos e profícuos legaram-nos livros de longa antiguidade, mas estes representam zero em relação à Bíblia. Enquanto a igreja papista preponderava, a Bíblia nunca foi franqueada às pessoas em uma forma tal que pudesse ser lida de forma clara, inteligível, segura e fácil, como agora podem fazê-lo na versão em alemão que, graças a Deus, preparamos aqui em Wittenberg.


[Estudos] Conversas à Mesa com Lutero (Parte 2): As Obras de Deus
LXIII
Todas as obras de Deus são inescrutáveis e inexplicáveis. Nenhum sentido humano pode descobri-las. Somente a fé é que pode apreendê-las, sem o poder ou auxílio humanos. Nenhuma criatura mortal pode compreender Deus em sua majestade. Por isso, ele veio a nós de maneira mais simples, foi feito homem, não é mesmo? Pecado, morte e fraqueza. Em todas as coisas, nas menores criaturas e nos seus membros, brilham claramente o poder supremo e as obras maravilhosas de Deus. Pois qual é o homem, por mais poderoso, sábio e santo, que pode fazer de um figo uma figueira ou um outro figo, ou de um grão de cereja uma cereja ou um pé de cerejas? Qual é o homem que sabe como Deus cria e preserva todas as coisas e faz com que se desenvolvam? Nem mesmo podemos entender como o olho vê, ou como são simplesmente pronunciadas palavras inteligíveis quando a língua se move e se mexe na boca, tudo coisas naturais, diariamente vistas e praticadas. Como é que, então, seríamos capazes de compreender ou entender os secretos conselhos da majestade de Deus, perscrutá-los com nossos sentidos, razão e entendimento humanos? Deveríamos, então, admirar a nossa própria sabedoria? Eu, de minha parte, me considero um tolo e me mantenho cativo.


[Colunista Hudson Lebourg] A Queima da Bula Papal. Um Basta nas Indulgências
"Se eu pelo texto ou uma razão plausível certificados motivo convincente, querem uma resposta objetiva: Não - Porque nem concílios e nem o papa, penso, estão certo, mas errados que se contradizem muitas vezes - e por ISSO a carta citada fico por mim, amarrado As Palavras".




[Cinco Solas] Sola Fide na Perspectiva de Martinho Lutero
"Eu não posso negar que tudo o que papa faz deve ser suportado, mas me entristece que eu não possa provar que o que ele faz é o melhor. Embora, se eu fosse discutir a intenção do papa, sem me envolver com sua prestação de serviço mercenária, eu diria, brevemente e com confiança, que se deve assumir o melhor sobre ele. A igreja necessita de uma reforma, que não é o trabalho de um homem, a saber, o papa, ou de muitos homens, a saber, os cardeais, o que o mais recente concílio demonstrou, mas é o melhor de todo o mundo, de fato, é trabalho de Deus somente. Entretanto, somente Deus, que criou o tempo, sabe o tempo para esta reforma. Nesse meio tempo, não podemos negar tais erros manifestos. O poder das chaves é abusado e escravizado pela cobiça e ambição."


[Biografias] Martinho Lutero
No cárcere, sentenciado pelo Papa a ser queimado vivo, João Huss disse: "Podem matar o ganso (na sua língua, 'huss' é ganso), mas daqui a cem anos, Deus suscitará um cisne que não poderão queimar". Enquanto caía a neve, e o vento frio uivava como fera em redor da casa, nasceu esse "cisne", em Eisleben, Alemanha. No dia seguinte, o recém-nascido era batizado na Igreja de São Pedro e São Paulo. Sendo o dia de São Martinho, recebeu o nome de Martinho Lutero. Cento e dois anos depois de João Huss expirar na fogueira, o "cisne" afixou, na porta da Igreja em Wittenberg, as suas noventa e cinco teses contra as indulgências, ato que gerou a Grande Reforma. João Huss enganara-se em apenas dois anos, na sua predição. Para dar o valor devido à obra de Martinho Lutero, é necessário notar algo das trevas e confusão dos tempos em que nasceu.


[Defesa da Fé Cristã] "Conversas à Mesa" de Lutero
"Conversas à Mesa" (Tischreden, em alemão) é a compilação de anotações feitas por alunos e colaboradores de Martinho Lutero durante encontros informais, como as refeições. A primeira edição das Tischreden foi publicada por Johann Aurifaber, em 1566, vinte anos após a morte de Lutero. A edição completa, porém, só foi publicada em 1836. O texto utilizado aqui vem da tradução para o inglês que o capitão Henry Bell traduziu e publicou por volta de 1650. Semanalmente, publicaremos aqui porções do texto traduzido.


[Defesa da Fé Cristã] Respondendo às Críticas: As Blasfêmias de Lutero
Infelizmente muitos sites/comunidades que atacam uma determinada Igreja ou Religião faz apologia ao ódio desrespeitando completamente a pessoa que segue tal Igreja/Religião atacada. O Apóstolo São Paulo em sua 2a Epístola à São Timóteo capítulo 2 diz que o servo do Senhor não convém contender, mas sim, ser manso para com todos, aptos para ensinar, sofredor. Enfim, estou escrevendo este artigo para responder uma pequena e simples crítica que fizeram de um outro artigo que escrevi - As Blasfêmias de Lutero. Por um outro lado, essas comunidades anti-protestantes apresentam muitas calúnias. Se eu disser que Martinho Lutero foi bruxo e satanista sem apresentar nenhuma fonte ou provas suficientes, tais comunidades me darão um certificado de Honra ao Mérito. Agora se eu disser que Martinho Lutero foi um cristão temente e fiel a Deus mostrando fontes ou provas suficientes, tais comunidades me levarão a uma Inquisição.


[Defesa da Fé Cristã] Lutero Disse que Cristo Pecou Cometendo Adultério?
Uma citação que geralmente é apresentada por católicos romanos contra Lutero é a seguinte: "Cristo cometeu adultério pela primeira vez com a mulher da fonte, de que nos fala São João. Não se murmurava em torno dele: "Que fez, então, com ela?" Depois, com Madalena, depois, com a mulher adúltera, que ele absolveu tão levianamente. Assim, Cristo, tão piedoso, também teve que fornicar, antes de morrer" (Tischredden, Nº 1472, edição de Weimar, Vol. II, p. 107).


[Defesa da Fé Cristã] Lutero: "Eu não admito que minha doutrina possa ser julgada por ninguém, nem mesmo pelos anjos. Aquele que não recebe minha doutrina não pode alcançar a salvação"
Eu estava assistindo um vídeo sobre a História da Reforma Protestante e me deparei com algumas declarações incorretas sobre Martinho Lutero. Dei uma resposta nos comentários do vídeo, a qual é uma edição do encontrado aqui.


[Defesa da Fé Cristã] Lutero: "O Livro de Ester, eu Lanço no Elba"
Esta citação de Lutero é encontrada frequentemente em inúmeras páginas web anti-Reforma: "O livro de Ester, eu lanço no Elba. Eu sou como um inimigo para o livro de Ester, que eu gostaria que não existisse, pois Judaíza demais e tem em si uma grande dose de loucura pagã." A citação deriva de uma das versões de Johann Aurifaber das "Conversas à Mesa". A primeira edição das "Conversas à Mesa" foi publicada por Johann Aurifaber, em 1566, vinte anos após a morte de Lutero. A obra é um conjunto de gatafunhos escritos por alunos e colegas de Lutero, onde contam em segunda mão supostas histórias vividas com o reformador alemão. Não é portanto uma boa fonte, e muito menos ainda quando os textos são recebidos sem qualquer análise crítica, para formular uma opinião sobre o pensamento de Martinho Lutero.


[Defesa da Fé Cristã] Lutero Exortou os Cristãos a "Pecar Fortemente"?
É muito comum ver católicos falando que Lutero teria dito: "Seja um pecador e peque fortemente, mas creia e se alegre em Cristo mais fortemente ainda". Sempre que eu ouço coisas como essas, eu fico com um pé atrás, embora conceda o benefício da dúvida. Após fazer uma pesquisa descobri que Lutero realmente disse isso, mas que a sua declaração não era uma licença para pecar, como supõem os seus detratores. Eu vou abordar essa questão aqui muito brevemente. Vocês podem conferir um extenso tratamento dessa citação nesse link:


[Defesa da Fé Cristã] Lutero e a Epístola de S. Tiago
Martinho Lutero era um homem do seu tempo, era uma pessoa rude de se expressar. Se colocarmos Lutero nos dias de hoje e travarmos um debate com ele, é capaz de nos insultar caso discordarmos dele. Ele é capaz de nos chamar de "hereges idiotas", "patéticos", entre outras palavras de baixo calão. E, infelizmente, a grande maioria dos apologistas católicos acabam que aproveitando essa maneira um pouco que ignorante de Lutero, para isolar pequenas frases diante de sua vasta obra e tachá-lo de "blasfemador", "filho do demônio", "herege revoltado", etc. Eles pegam essa oportunidade e acabam que criando pretextos gigantescos transformando a mentira em verdade.


[Defesa da Fé Cristã] Lutero e Algumas de Suas Supostas Citações Heréticas Alegadas por Theobald Beer e Outros Romanistas
Diversas páginas católicas andam a reproduzir supostas citações atribuídas a Lutero na intenção de denigrir a imagem do reformador para reforçar apelos que invalidem o protestantismo. A estratégia funciona assim: Mostre aos protestantes que Lutero era um blasfemador e então provamos que o protestantismo tem tanto valor quanto as calúnias de Lutero, ou seja, NADA. Contudo ao nos depararmos com as supostas citações, percebemos que se trata de uma propaganda caluniosa de pura e generalizada desinformação que cabe a nós darmos um fim sem deixar de apresentarmos uma boa resposta para cada uma das supostas alegações ou interpretações que fazem. É preciso dizer primeiramente que ainda que Lutero tivesse dito tais coisas, isso não seria cousa suficiente para invalidar o protestantismo afinal, OS SUCESSORES DE PEDRO EM ROMA, OS PAPAS especificamente os da renascença não foram lá grandes exemplos de moralidade e ortodoxia e Lutero perto deles poderia ser considerado um santo, mesmo assim, os erros, pecados e blasfêmias papais não são tidas no meio romanista como coisa que invalide o catolicismo que para além disso afirma que ouro continua a ser ouro, mesmo sendo oferecido por mãos impuras COMO AS DO PAPADO MEDIEVAL.


[Defesa da Fé Cristã] Lutero Era um Assassino que Se Tornou Monge para Fugir da Condenação de Homicídio?
Lutero entrou no Convento para não ser submetido à justiça criminal, cujo resultado teria sido, provavelmente, a pena de morte, por ter matado em duelo seu colega de estudos chamado Jerônimo Buntz. Um dos homens mais mal citados e deturpados da história, sem dúvida alguma é Martinho Lutero. Existe um falacioso arsenal de pseudo-citações e ações atribuídas a ele, formando uma verdadeira propaganda caluniosa perpetrada por católicos romanos em nossos dias como nunca houve antes. Aqui, irei expor mais uma delas, o que servirá de resposta a este vídeo católico (aqui). Tal vídeo nos oferece a oportunidade de mostrar como os católicos são copiosamente desonestos e fraudulentos. Ignorantes até o mais profundo de suas almas paganistas que fazem de tudo para defender suas heresias, simplesmente caluniando quem os contraria.


[Defesa da Fé Cristã] As Blasfêmias de Lutero
Queridos,
existe um livro chamado "Conversas à Mesa" onde é apresentado algumas anotações do Reformador Martinho Lutero blasfemando o Nome de Deus. Veremos algumas delas: "Cristo Adúltero. Cristo cometeu adultério pela primeira vez com a mulher da fonte [do poço de Jacó] de que nos fala São João. Não se murmurava em torno dele: "Que fez, então, com ela?" Depois, com Madalena, depois, com a mulher adúltera, que ele absolveu tão levianamente. Assim, Cristo, tão piedoso, também teve que fornicar, antes de morrer" (Lutero, Tischredden, Conversas à Mesa, N* 1472, edição de Weimar, Vol. II, p. 107, apud Franz Funck Brentano, Martim Lutero, Ed Vecchi Rio de Janeiro 1956, p. 15).

COMENTE! (1 Comentário)
Nome:

E-Mail:

Comentário:



MENSAGEM #01
Mensagem Recebida: 25 de Julho de 2016, Segunda Feira, 06h56
Publicada no Site: 25 de Julho de 2016, Segunda Feira, 17h31
Nome: Luiz Virtuoso
Mensagem: Li um livro na internet cujo título havia me chamado a atenção "La Fin de Luther" em francês. Conta-se ali que por ocasião do enterro de Lutero, Eisleben se encheu de tantos urubus que vivamente impressionava. Nas árvores nas casas nos mais inusitados locais. Que o miasma exalado era tão forte que arranjaram um caixão de metal que teve de ser transportado em veiculo, e os corvos grasnantes acompanharam o féretro. Anos depois na exumação o odor era tão forte que todos os participantes adoeceram. É verossímil acredito, mas impublicável nosso pais tropical, os que defendem Lutero, como não fazem os católicos perante a Igreja Santa, Católica Apostólica. Tem mais, porém já comentados ali. Salve Maria.



& PROTESTANTISMO &
Desde 03 de Agosto de 2008