Os Reformadores Retiraram Livros da Bíblia?


Publicado neste site no dia:
11 de Julho de 2016, Segunda Feira, 01h28

"Que vantagem há então em ser judeu? E qual a utilidade da circuncisão? Muita, e sob todos os pontos de vista. Em primeiro lugar, porque foi a eles que foram confiados os oráculos de Deus." (Romanos 3:1-2 – Bíblia de Jerusalém)

Há muitas discussões e debates hoje sobre a formação, canonização e manutenção do Cânon Bíblico. Os católicos não abrem mão de denunciar aos quatro cantos da terra que o cânon (até o veterotestamentário) é pertencente a está religião. Mas será? Vejamos:

Na época patriarcal, a revelação divina era transmitida escrita e oralmente. A escrita já era conhecida na Palestina séculos antes de Moisés (escrita cuneiforme); a Arqueologia tem provado isto, inclusive tem encontrado inúmeras inscrições, placas, sinetes e documentos antediluvianos. O Cânon do Antigo Testamento, como o temos atualmente, ficou completo desde o tempo de Esdras, após 445 a.C.

Entre os judeus, tem eles três divisões, as quais o Senhor Jesus citou no Novo Testamento:

"Depois disse-lhes: São estas as palavras que eu vos falei, quando ainda estava convosco: era preciso que se cumprisse tudo o que está escrito sobre mim na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos". (Lucas 24:44 – Bíblia de Jerusalém)

A categoria dos livros no cânon hebraico é distinta da nossa. São divididos em Lei, Profetas e Salmos. Incide em 24 livros em vez dos nossos 39, isto porque são considerados como um só livro, cada grupo dos seguintes:

Os dois de Samuel.......................................................1
Os dois de Reis............................................................1
Os dois de Crônicas.....................................................1
Os dois de Esdras e Neemias......................................1
Os doze Profetas Menores...........................................1
Os demais livros do Antigo Testamento.......................19
Total.............................................................................24

Mas mesmo assim o Romanismo considera a Bíblia "Protestante" como uma Bíblia Católica incompleta, pois os "Protestantes" como ela diz, não aceitam os livros de Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, 1. e 2. Macabeus, bem como os capítulos 10 a 16 de Ester e os capítulos 3, 13 e 14 do livro de Daniel, pois julgam que estas partes não são Canônicas ou inspiradas por Deus.

Não vou me deter nos erros contidos nos Livros Apócrifos, mas sim no fato de que os judeus palestinos e a Igreja Apostólica nunca os aceitaram e nunca os usou como norma de fé, prática e costumes. A Igreja Romana aprovou os apócrifos em 8 de Abril de 1546 como meio de combater a Reforma Protestante. Nessa época os Protestantes combatiam violentamente as doutrinas Romanistas do purgatório, oração pelos mortos, salvação pelas obras, etc., e os Romanistas viam nos apócrifos base para tais doutrinas, e apelaram para eles aprovando-os como canônicos. Houve prós e contras dentro dessa própria igreja, como também depois.

Os debates sobre os apócrifos motivaram ataques dos Dominicanos contra os Franciscanos. No Concílio de Trento houve várias controvérsias, onde, 40 bispos dos 49 presentes travaram luta corporal. A primeira edição da Bíblia Católica Romana com os apócrifos deu-se em 1592, com autorização do papa Clemente VIII. Os Reformadores protestantes publicaram a Bíblia com os apócrifos, colocando-os entre o A.T. e N.T., não como inspirados, mas bons à leitura e de valor histórico, mas em 1629 as igrejas reformadas excluíram os apócrifos das suas edições da Bíblia.

A conquista da Palestina por Alexandre, o Grande, ocasionou uma nova dispersão dos judeus por todo o império greco-macedônico. Pelo ano 300 antes de Cristo, a colônia de judeus na cidade de Alexandria, Egito, era numerosa, forte e fluente. Morrendo Alexandre, seu domínio dividiu-se em quatro reinos, ficando o Egito sob a dinastia dos Ptolomeus. O segundo deles, Ptolomeu Filadelfo, foi grande amante das letras e preocupou-se com enriquecer a famosa biblioteca que seu pai havia fundado. Muitos livros foram traduzidos para o grego. Naturalmente, as Escrituras Sagradas do povo hebreu foram levadas em conta, apreciando-se também a grande importância que teria a tradução da Bíblia de seus antepassados da Palestina para os judeus cuja língua vernácula era o grego.

Segundo um relato de Josefo, o Sumo Sacerdote de Jerusalém, Eleazar, enviou, a pedido de Ptolomeu Filadelfo, uma embaixada de 72 tradutores a Alexandria, com um valioso manuscrito do Velho Testamento, do qual traduziram o Pentateuco:

"Depois de uma libertação tão extraordinária, o rei, que nada fazia sem madura reflexão, ordenou a Demétrio que fizesse publicar a sua determinação a respeito da tradução dos livros hebraicos para a língua grega. Registrou-se o pedido apresentado a sua majestade por Demétrio, bem como as cartas escritas a esse respeito, o número e a riqueza dos presentes que foram enviados a fim de se dar a conhecer a extraordinária magnificência do soberano e o que os operários haviam feito como contribuição para a arte" (História dos Hebreus – Livro 12º, cap. 2 – parágrafo 454)

Parte do decreto rezava da seguinte forma:

"Mas, para vos mostrar mais particularmente a nossa afeição pelos judeus de todo o mundo, queremos que se traduzam as vossas leis do hebraico para o grego, e colocaremos essa tradução em nossa biblioteca. Assim, far-nos-eis coisa muito grata se escolherdes em todas as vossas tribos pessoas que, pela idade e inteligência, tenham adquirido um grande conhecimento de vossas leis e sejam capazes de as traduzir com exata fidelidade." (História dos Hebreus – Livro 12º, cap. 2 – parágrafo 454)

A tradução continuou depois, não se completando senão no ano 150 antes de Cristo. Esta tradução, que se conhece com o nome de Septuaginta, ou Versão dos Setenta (por terem sido 70, em número redondo, seus tradutores), foi aceita pelo Sinédrio judaico de Alexandria; mas, não havendo tanto zelo ali como na Palestina e devido às tendências helenistas contemporâneas, os tradutores alexandrinos fizeram adições e alterações e, finalmente, sete dos Livros Apócrifos foram acrescentados ao texto grego como Apêndice do Velho Testamento. Veja a declaração de Josefo contra o cânon Alexandrino:

"Pois não temos uma multidão inumerável de livros entre nós, discordando e contradizendo um ao outro, [como os gregos têm], mas apenas 22 livros, que contêm os registros de todos os tempos passados; que são justamente cridos como divinos. Destes, cinco são os livros de Moisés, que compreendem as leis e a história tradicional desde o nascimento do homem até a morte do legislador. Este período só cai um curto tempo de três mil anos. Desde a morte de Moisés até Artaxérxes, que sucedeu a Xérxes como rei da Pérsia, os profetas posteriores a Moisés escreveram a história dos eventos de suas próprias épocas em treze livros. Os restantes quatro livros contêm hinos a Deus e preceitos para a conduta da vida humana. Desde Artaxérxes até os nossos dias a história completa foi escrita, mas não foi considerada digna de crédito igual aos registros anteriores, por causa do falta de sucessão exata dos profetas. Nós damos prova prática de nossa reverência de nossas próprias Escrituras. Pois, embora essas longas eras já tenham passado, ninguém se aventurou nem a adicionar, remover, nem alterar uma sílaba, e é um instinto com cada judeu, desde o dia do seu nascimento, considerá-las como os decretos de Deus, respeitá-las, e, se necessário, alegremente morrer por elas." (Flávio Josefo - Contra Apion, 1:41)

Este Artaxérxes que ele menciona é o chamado Longímano, que reinou de 465-424 a.C. Isso coincide com o tempo de Esdras e confirma as declarações de outras obras da literatura judaica que ensinam ter Esdras presidido a Grande Sinagoga que selecionou e preservou os rolos sagrados para a posterioridade.

Josefo conta os livros do Antigo Testamento como 22 porque considera Juízes e Rute como 1 (um) livro; Jeremias e Lamentações também. Isto, para coincidir com o número de letras do alfabeto hebraico: 22.

Os estudiosos acham que os Apócrifos foram unidos à Bíblia, por serem guardados juntamente com os rolos de Livros Canônicos, e quando foram iniciados os Códices, isto é, a escrituração da Bíblia inteira em um só volume, alguns escribas copiaram certos rolos apócrifos juntamente com os rolos canônicos.

Estes livros têm a importância de refletir o estado do povo judeu e o caráter de sua vida intelectual e religiosa durante as épocas que representam, do período inter testamentário (entre Malaquias e João Batista, de 400 anos); é, talvez, por estas razões que os tradutores os juntaram ao texto grego da Bíblia, mas os judeus da Palestina nunca os aceitaram no cânon de seus livros sagrados.

Meus caros(a). Quero citar algo muito interessante. A pronunciação do índice pastoral da Bíblia Sagrada sobre o "imprimatur" de Dom Lucas Cardeal Moreira Neves (1925 A.D – 2002 A.D), que até então era o arcebispo de Salvador, primaz do Brasil e presidente da CNBB. Veja o que é dito:

"CÂNON: Lista dos livros do A.T. e do N.T. inspirados por Deus e, consequentemente, normativos para a fé e vida moral dos fieis. O cânon dos livros inspirados FORMOU-SE DEVIDAMENTE JÁ NA ERA APOSTÓLICA. Mas houve dúvidas sobre determinados livros do AT e do NT, sobretudo entre o II e o IV século, devido a proliferações de livros - apócrifos. Tais livros são chamados deuterocanônicos, porque foram reconhecidos como canônicos pela Igreja universal NUM SEGUNDO MOMENTO. Os deuterocanônicos do NT são: Hebreus, 2 Pedro, Judas, Tiago, 2-3 João e Apocalipse; os do AT são: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, e 1-2 Macabeus. Estes últimos não contam nas Bíblias editadas pelas Igrejas protestantes, que os consideram apócrifos. A Igreja Católica pronunciou-se definitivamente sobre o cânon no CONCÍLIO DE TRENTO (1546)." (Bíblia Sagrada, 50ª Edição, pág.1492/93 - Verbete: Cânon)

Muito conveniente essa citação, porquanto descrimina que os deuterocanônicos neotestamentários sempre foram aceitos pela Igreja Apostólica, mas os veterotestamentários, não. Esses só foram reconhecidos em Trento (1546). É a confirmação da declaração Protestante e sua autenticidade. Os Reformados nunca tiraram livros, apenas aceitaram o que a Igreja Apostólica reconhecia como fiel e inspirado.

Nós como Cristãos Genuínos temos temor pelo que a própria Bíblia diz sobre subtração e acréscimos a suas Santas Palavras:

"A todo o que ouve as palavras da profecia deste livro eu declaro: Se alguém lhes fizer algum acréscimo, Deus lhe acrescentará as pragas descritas neste livro. E se alguém tirar algo das palavras do livro desta profecia, Deus lhe tirará também a sua parte da árvore da Vida e da Cidade santa, que estão descritas neste livro!" (Apocalipse 22:18-19 – Bíblia de Jerusalém)


Rômulo Lima
Acadêmico em Teologia e Apologética Aplicada


Fonte: Defesa da Sã Doutrina




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