Sola Fide - "Somente a Fé", ou a Exclusividade da Fé como Meio de Justificação
Falando da eleição, Paulo argumenta: E, se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça (Rm 11:6). A graça exclui totalmente as obras. O homem nada pode e nada tem para oferecer a Deus por sua salvação. A única coisa que lhe cabe fazer é aceitar o dom da salvação, pela fé, quando esta lhe é concedida. Fé na obra suficiente de Cristo, que lhe é imputada (creditada em sua conta) gratuitamente. Essa obra consiste na sua vida de perfeita obediência à lei de Deus, em lugar do homem, obediência que nem Adão nem qualquer de sua descendência pôde prestar, dada a sua condição de morte espiritual. Por isso Cristo é chamado de o segundo ou o último Adão (1Co 15:45).

Ela consiste também, e principalmente, de sua morte sacrificial em lugar do pecador eleito, através da qual é pago o preço exigido pela justiça de Deus para a justificação. A justiça de Deus exige punição do pecado. Ele é aquele que "não inocenta o culpado" (Ex 34:7). Exige justiça perfeita. Para que Deus pudesse punir o pecador, mas ao mesmo tempo declará-lo justo (que é o significado bíblico de justificar), foi preciso que alguém, sem culpa e com méritos divinos, assumisse o seu lugar. Foi o que o próprio Deus fez através de Cristo. Assumiu a culpa do pecador eleito e morreu em seu lugar, satisfazendo assim a justiça de Deus, ofendida pela pecado. Nada menos do que isso foi suficiente para justificar o pecador. É o que se chama na teologia de "expiação".

Desta forma, Paulo pôde falar em Deus como "aquele que justifica o ímpio" (Rm 4:5) e da morte de Cristo como a manifestação da sua justiça, para que ele pudesse ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus. Diz ele: "sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus" (Rm 3: 24-26). É por isso também que os reformadores chamavam o crente de simul justus et peccator – ao mesmo tempo justo e pecador.

Esta foi a doutrina central da Reforma. Lutero, de início, não podia compreender como a "justiça de Deus se revela no evangelho" ("visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé". Rm 1:17). Para ele, a justiça de Deus só poderia condenar o homem, não salvá-lo. Tal justiça não seria "boas novas" (evangelho). Só quando compreendeu que a justiça de que Paulo fala nesse texto não é o atributo pelo qual Deus retribui a cada um conforme os seus méritos (o que implicaria em condenação para o homem), mas o modo como Ele justifica o homem em Cristo, é que a luz raiou em seu coração e a verdade aflorou em sua mente. Tornou-se, então, um homem livre, confiante e certo do perdão dos seus pecados. Compreendeu o evangelho! O Evangelho é a manifestação dessa justiça de Deus, que é recebida somente pela fé. Não é produzida pelas obras, pois o homem não as tem. ("Visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado"… "concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei" Rm 3:20,28).

É pela fé que o justo viverá. Quando Paulo cita esta passagem de Habacuque, ele a usa para ensinar que é através da fé, e não das obras, que alguém é declarado justo em Cristo. Isto está mais claro na outra citação em Gl 3:11, quando ele diz: "E é evidente que, pela lei, ninguém é justificado diante de Deus, porque o justo viverá pela fé”. Cristo é a justiça de Deus ("mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção" – 1Co 1:30) e pela fé nele nós também somos feitos "justiça de Deus" ("Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus" (2Co 5:21).

A fé, todavia, é apenas o meio, dado pelo próprio Deus, pelo qual essa justiça é imputada ao pecador, não a sua causa ou motivo. Do contrário, a própria fé seria "obra humana". Per fidem propter Christum – "pela fé, por causa de Cristo", como deixou claro a Reforma. A fé não é a base nem a causa meritória da justificação, mas o meio pelo qual ela é comunicada.

Quão longe estava a Igreja dessa verdade simples do Evangelho quando ensinava que o perdão podia ser comprado com dinheiro e a salvação adquirida com o mérito dos santos. Tetzel, o vendedor das indulgências do Papa Leão X na Alemanha, dizia que "ao som de cada moeda que cai neste cofre, uma alma se desprende do purgatório e voa até o paraíso", refrão que seus ridicularizadores rimaram no que em português equivaleria a "no que a moeda na caixa cai, uma alma do purgatório sai" ("sobald das Geld im Kasten Klingt, di Seele aus dem fegfeuer springt") [5]

Mas não pensemos que a Igreja Católica mudou. Ainda agora, neste ano considerado o do Jubileu 2000, o Vaticano criou novas indulgências para reduzir ou anular as penas dos pecados. Um "Manual de Indulgência", de 115 páginas, apresenta algumas das obras que podem aliviar a punição dos pecadores no purgatório, dentre as quais estão um dia sem fumar, rezar com o Papa em frente à televisão, ajudar refugiados, orar mentalmente com surdos-mudos, não comer carne, etc, (cf. artigo "Igreja Católica cria novas indulgências", Folha de S. Paulo de 19/09/2000), além das que são permanentemente concedidas como visitar o Vaticano e peregrinar por lugares sagrados.

Isto na mesma época em que a Igreja assinou, juntamente com luteranos da Federação Luterana Mundial, um acordo em que os dois grupos professam que: "a salvação decorre da graça de Deus e não das boas obras; só se chega à salvação pela fé; e, embora não levem à salvação, as boas obras são conseqüência natural da fé" (cf. artigo "Católicos e luteranos se reconciliam", da mesma edição da Folha de S. Paulo, já citada). O acordo não é levado a sério pelos que conhecem o catolicismo e o modo como age, e recebeu críticas inclusive da parte de igrejas luteranas fiéis à sua origem. É visto apenas como uma manobra para promover o ecumenismo e, principalmente, para combater o mercantilismo das igrejas neo-pentecostais, que vêm tirando adeptos das igrejas tradicionais, principalmente do catolicismo, com sua pregação da "teologia da prosperidade" (cf. artigo "Acordo visa combater 'mercantilismo'", da referida edição da Folha).

A ênfase na doutrina da justificação somente pela fé é tão oportuna e necessária agora quanto nos dias de Lutero, e não só porque o catolicismo não mudou, mas porque o protestantismo mudou. São poucos os evangélicos hoje que ainda dão ênfase ao aspecto objetivo da justificação unicamente pela fé. Experiências subjetivas, avivamentos emocionais, respostas a apelos e outras práticas estão tomando o lugar da pregação dos temas chaves da Reforma. As doutrinas do pecado original, da expiação vicária, da eleição incondicional e da justificação somente pela fé estão sendo negadas hoje por muitos evangélicos que buscam uma acomodação à cultura da modernidade.


Sola Fide!


Anderson Queiroz


Fonte: Missão Reformada




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CINCO SOLAS - Sola Fide na Perspectiva de Martinho Lutero
"Eu não posso negar que tudo o que papa faz deve ser suportado, mas me entristece que eu não possa provar que o que ele faz é o melhor. Embora, se eu fosse discutir a intenção do papa, sem me envolver com sua prestação de serviço mercenária, eu diria, brevemente e com confiança, que se deve assumir o melhor sobre ele. A igreja necessita de uma reforma, que não é o trabalho de um homem, a saber, o papa, ou de muitos homens, a saber, os cardeais, o que o mais recente concílio demonstrou, mas é o melhor de todo o mundo, de fato, é trabalho de Deus somente. Entretanto, somente Deus, que criou o tempo, sabe o tempo para esta reforma. Nesse meio tempo, não podemos negar tais erros manifestos. O poder das chaves é abusado e escravizado pela cobiça e ambição."


CINCO SOLAS - A Escritura, a Graça, a Fé, Cristo e a Glória
"A Reforma foi uma chamada ao cristianismo autêntico, uma tentativa de escapar da corrupção medieval da fé por meio de renovação e reforma. Seus ensinos, que giravam em torno da repetição quíntupla da palavra sola ("Somente"), eram uma mensagem radical para aquela época (e deveria ser para a nossa), porque exigiam um compromisso com um ponto de vista completamente teocêntrico da fé e da vida." (John D. Hannah) [1]


CINCO SOLAS - Sola Gratia
"Maravilhosa Graça! Quão doce o som que salvou um miserável como eu!"; "Maravilhosa graça do nosso amado Senhor, a graça que excede o nosso pecado e a nossa culpa". "Maravilhosa graça de Jesus, maior do que todos os meus pecados, como a minha língua deveria descrevê-lo, por onde deveria começar o seu louvor?". Os cristãos adoram cantar sobre a graça salvadora de Deus – e com razão. João nos diz que de Jesus "todos nós temos recebido da sua plenitude e graça sobre graça" (João 1:16). Muitas das cartas do Novo Testamento começam e terminam com os escritores expressando seu desejo de que a graça de Jesus estivesse com o seu povo. As últimas palavras da Bíblia são: "A graça do Senhor Jesus seja com todos. Amém" (Apocalipse 22:21).


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Questão: Onde na Bíblia a Sola Scriptura é ensinada? 2 Timóteo 3:15-17 é uma referência ao Antigo Testamento e não lida com quais livros são inspirados e como nós sabemos quais livros são inspirados. Como um ex-protestante, eu lutei comigo mesmo com esta questão e francamente ninguém me deu uma resposta satisfatória.


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O Catolicismo Romano afastou-se do Evangelho e instituiu o culto a Maria, já em 431, o culto às imagens, em 787, e a canonização dos santos, em 933. Instituiu também a figura do sacerdote como vigário de Cristo, a quem devem ser confessados os pecados e a quem supostamente foi conferido poder para perdoá-los, mediante a prescrição de penitências. Um dos pontos centrais das teses de Lutero tinha a ver exatamente com o poder do Papa e dos sacerdotes de perdoar pecados, que ele questionava, pelo menos no que diz respeito aos mortos. Dizia ele: O Papa não tem o desejo nem o poder de perdoar quaisquer penas, exceto aquelas que ele impôs por sua própria vontade ou segundo a vontade dos cânones. O Papa não tem o poder de perdoar a culpa a não ser declarando ou confirmando que ela foi perdoada por Deus; ou, certamente, perdoando os casos que lhe são reservados. Se ele deixasse de observar essas limitações a culpa permaneceria. Os cânones da penitência são impostos unicamente sobre os vivos e nada deveria ser imposto aos mortos segundo eles (teses 5, 6 e 8). Mas admitia o sacerdote como vigário de Deus, perante quem Deus podia perdoar a culpa, mediante humilhação do penitente (tese 7). Só mais tarde Lutero se libertou totalmente de alguns desses ranços de sua formação católica. Nem poderia ser diferente. Quando ele escreveu as teses, era ainda um monge católico romano.


CINCO SOLAS - A Declaração de Cambridge
As igrejas evangélicas de hoje estão cada vez mais dominadas pelo espírito deste século em vez de pelo Espírito de Cristo. Como evangélicos, nós nos convocamos a nos arrepender desse pecado e a recuperar a fé cristã histórica. No decurso da História, as palavras mudam. Na época atual isso aconteceu com a palavra evangélico. No passado, ela serviu como elo de união entre cristãos de uma diversidade ampla de tradições eclesiásticas. O evangelicalismo histórico era confessional. Acolhia as verdades essenciais do Cristianismo conforme definidas pelos grandes concílios ecumênicos da Igreja. Além disso, os evangélicos também compartilhavam uma herança comum nos "solas" da Reforma Protestante do século 16. Hoje, a luz da Reforma já foi sensivelmente obscurecida. A conseqüência foi a palavra evangélico se tornar tão abrangente a ponto de perder o sentido. Enfrentamos o perigo de perder a unidade que levou séculos para ser alcançada. Por causa dessa crise e por causa do nosso amor a Cristo, seu evangelho e sua igreja, nós procuramos afirmar novamente nosso compromisso com as verdades centrais da reforma e do evangelicalismo histórico. Nós afirmamos essas verdades e não pelo seu papel em nossas tradições, mas porque cremos que são centrais para a Bíblia.


CINCO SOLAS - Sola Scriptura e os Pais da Igreja
A Reforma do século dezesseis foi responsável por restaurar à Igreja o princípio de Sola Scriptura, um princípio que havia operado dentro da Igreja Cristã a partir do início da era pós-apostólica. Primeiro, os apóstolos de Jesus Cristo ensinaram oralmente; entretanto, com o findar da era apostólica, toda revelação especial que Deus tencionou preservar ao homem foi reunida por escrito, nas Escrituras. Sola Scriptura é, pois, o ensino, baseado na própria Escritura, de que há somente uma revelação especial de Deus que o homem possui hoje - a.s, A Bíblia. Logo, as Escrituras devem ser materialmente suficientes e ser, por sua própria natureza (i.e., por serem inspiradas por Deus), a autoridade final para a Igreja. Isto também implica dizer que não há porção da revelação que tenha sido preservada na forma de tradição oral, independente da Palavra escrita. Não possuímos qualquer ensino de um Apóstolo atualmente - fora das Escrituras. Somente as Escrituras, então, registram para nós o ensino apostólico e a revelação final de Deus.


DEFESA DA FÉ CRISTÃ - É a Bíblia Insuficiente em Termos de Fé?
Caro leitor, muitos grupos heréticos surgiram por causa da crença de que a Bíblia não é a completa revelação de Deus. A característica básica desses grupos é juntar a Bíblia a sua própria literatura, que geralmente passa a ter valor igual e até superior à própria Palavra de Deus, como é o caso das obras de Ellen White, de Russel e de Joseph Smith.


ESTUDOS - A Reforma Protestante: Perguntas e Respostas
1. Qual a importância da Reforma?
A Reforma Protestante foi importante para o cristianismo porque chamou a atenção para verdades (doutrinas) e práticas bíblicas que haviam sido esquecidas ou distorcidas pela Igreja Medieval. Não foi um movimento inovador, mas restaurador das convicções e ênfases do cristianismo original. Algumas de suas principais contribuições foram: retorno às Escrituras; a centralidade de Cristo; a salvação vista como dádiva da graça de Deus, a ser recebida por meio da fé; a Igreja não é a instituição ou a hierarquia, mas o povo de Deus – cada cristão é um sacerdote.


ESTUDOS - O Que Resta do Protestantismo Conduzido Pelos Reformadores
A Reforma Protestante, assim como todos os demais eventos históricos, passou por um processo de evolução com desdobramentos e transformações ao longo de quase cinco séculos. Cabe aqui olharmos para o atual estado do universo protestante, que representa mais de 800 milhões de pessoas em todo mundo em especial ao universo religioso brasileiro, onde os protestantes são mais de 42 milhões, para avaliarmos o que permanece do ideal defendido pelos reformadores. Ressalta-se, aqui, que infelizmente o desconhecimento desse grande legado teológico deixado por homens como Lutero, Zwinglio, Calvino e Meno Simon (representando os anabatistas moderados), tem feito muita falta, como bem expressa Timothy George em seu livro Teologia dos Reformadores: "Jerônimo disse certa vez que, quando lia as cartas do apóstolo Paulo, podia ouvir trovões. Os mesmos trovões também ecoam mediante os escritos dos reformadores. Os teólogos contemporâneos fariam bem em ouvir novamente a mensagem desses cristãos corajosos que desafiaram imperadores e papas, reis e câmaras municipais, porque suas consciências estavam cativas à Palavra de Deus". Os fatos falam por si mesmo sobre o que resta desse movimento que mudou não apenas a face da Europa do século XVI, mas do mundo como um todo. A marca distintiva da Reforma Protestante Sola Scriptura, Solo Christus, Sola Gratia, e Sola Fide sintetizam a teologia do movimento. Vejamos essas marcas hoje.


ESTUDOS - Educação, Ética e Cidadania na Obra de Martim Lutero: Contribuições Protestantes para a História da Educação Numa Aproximação com Paulo Freire (Em PDF)
O presente texto faz uma leitura interpretativa sobre as concepções de educação, ética e cidadania na obra de Martim Lutero. Dos seus principais escritos sobre educação buscamos elucidar os conceitos de educação, ética e cidadania e as inter-relações entre seus significados. Neste contexto nossa pesquisa se constitui numa contribuição para a História da Educação e para uma ressignificação da reflexão atual sobre ética e cidadania e seus vínculos com a educação, principalmente, a partir das origens do protestantismo histórico.

Trabalho realizado por: Alvori Ahlert.
Mestre em Educação nas Ciências, pela UNIJUÍ, RS, Doutor em Teologia, Área Religião e Educação pelo IEPG/EST, RS, Professor Adjunto da UNIOESTE, membro do GEPEFE e do Grupo de Pesquisa Cultura, Freonteira e Desenvolvimento Regional. alvoriahlert@hotmail.com, alahlert@brturbo.com.br e alvori@unioeste.br.


ESTUDOS - Um Sermão Sobre a Indulgência e a Graça
1. Em primeiro lugar, cumpre que saibam que vários novos mestres, tais como o mestre das Sentenças[2], S. Tomás[3] e seus seguidores, atribuem três partes à Penitência, quais sejam: a contrição, a confissão e a satisfação. Esta distinção, em seu conceito, dificilmente ou mesmo de forma alguma se acha fundamentada na Sagrada Escritura e nos antigos santos mestres cristãos. Mesmo assim queremos admiti-la por ora ou falar ou modo deles.


ESTUDOS - A Validade Permanente da Teologia Reformada
No capítulo introdutório deste livro, referimo-nos ao debate entre os historiadores sobre a questão de a Reforma ter sido primordialmente medieval ou moderna em seu impuslo e perspectiva básicos. Muitas vezes, aqueles que defendem a segunda hipótese - que a Reforma assinalou o despertar de uma nova era - fazem-no com uma sensação de júbilo por ter sido libertados das algemas da superstição e do dogmatismo, os quais pensa-se que caracterizaram a chamada "Idade das Trevas". Adolf von Harnack, grande historiador da igreja, acreditava que a história total do dogma cristão havia culminado e sido transcendida na teologia de Lutero: Lutero foi o fim do dogma, da mesma forma que Cristo foi o término da lei! Entretanto, qualquer tentativa de avaliar a importância da teologia da Reforma para a igreja de hoje deve reconhecer a absoluta impossibilidade de tal visão. Contra a ostentação de Erasmo de que ele não se deleitava com asserções, Lutero respondia que as asserções, que ele definiu como uma constante devoção, afirmação, confissão, sustentação e perseverança, pertenciam à própria essência do cristianismo. "Devem-se desfrutar as asserções, ou então não ser um cristão." Apesar de todas as suas críticas das doutrinas oficiais do catolicismo medieval, os reformadores viam-se numa ligação báscia com os dogmas fundamentais da igreja primitiva.


ESTUDOS - A Teologia de Martinho Lutero
Antes de continuar narrando a vida de Lutero e seu trabalho reformador, devemos nos deter para considerar a sua teologia, que foi a base dessa vida e dessa obra. Ao chegar o momento da dieta de Worms, a teologia do Reformador havia alcançado sua maturidade. Então a partir daí, o que Lutero fez foi simplesmente elaborar as conseqüências dessa teologia. Portanto, este parece ser o momento adequado para interromper nossa narrativa, e dar ao leitor uma idéia mais adequada da visão que Lutero tinha da mensagem cristã. Ao contarmos sua peregrinação espiritual, dissemos algo sobre a doutrina da justificação pela fé. Porém essa doutrina, apesar de ser fundamental, não é a totalidade da teologia de Lutero.


ESTUDOS - Conversas à Mesa com Lutero (Parte 2) - As Obras de Deus
LXIII
Todas as obras de Deus são inescrutáveis e inexplicáveis. Nenhum sentido humano pode descobri-las. Somente a fé é que pode apreendê-las, sem o poder ou auxílio humanos. Nenhuma criatura mortal pode compreender Deus em sua majestade. Por isso, ele veio a nós de maneira mais simples, foi feito homem, não é mesmo? Pecado, morte e fraqueza. Em todas as coisas, nas menores criaturas e nos seus membros, brilham claramente o poder supremo e as obras maravilhosas de Deus. Pois qual é o homem, por mais poderoso, sábio e santo, que pode fazer de um figo uma figueira ou um outro figo, ou de um grão de cereja uma cereja ou um pé de cerejas? Qual é o homem que sabe como Deus cria e preserva todas as coisas e faz com que se desenvolvam?


ESTUDOS - Conversas à Mesa com Lutero (Parte 1) - Palavra de Deus
I
Que a Bíblia é a palavra de Deus e o seu Livro, eu o provo desta forma: Todas as coisas que existiram e existem no mundo e a forma sob a qual existem encontram-se descritas no primeiro livro de Moisés sobre a criação; exatamente como Deus criou e deu forma à terra, e assim a terra permanece até hoje. Potentados infinitos se iraram contra esse livro e tentaram destruí-lo e exterminá-lo – o rei Alexandre Magno, os príncipes do Egito e da Babilônia, os monarcas da Pérsia, da Grécia e de Roma, os imperadores Júlio e Augusto – porém eles não prevaleceram; estão todos liquidados e extintos, enquanto que o Livro permanece e permanecerá para sempre, perfeito e intacto, como foi dito primeiro. Quem o assim auxiliou – quem o assim protegeu contra tais forças poderosas? Com certeza ninguém, a não ser Deus mesmo que é o senhor de todas as coisas. E não se trata de um milagre pequeno Deus tem preservado e protegido esse Livro; pois o diabo e o mundo são-lhe inimigos furiosos. Acredito que o maligno tenha destruído muito bons livros da igreja, da mesma forma que outrora matou e destruiu muitas pessoas piedosas, cuja memória agora está esquecida, porém a Bíblia Deus de bom grado deixou subsistir. Da mesma forma, o batismo, o sacramento do altar, o verdadeiro corpo e sangue de Cristo e o ofício da pregação permaneceram até nós, a despeito de uma infinidade de tiranos e de perseguidores heréticos. Deus, pelo seu poder único, conservou tais coisas; vamos, então, sem medo de impedimento batizar, administrar o sacramento e pregar. Homero, Virgílio e outros escritores nobres, finos e profícuos legaram-nos livros de longa antiguidade, mas estes representam zero em relação à Bíblia. Enquanto a igreja papista preponderava, a Bíblia nunca foi franqueada às pessoas em uma forma tal que pudesse ser lida de forma clara, inteligível, segura e fácil, como agora podem fazê-lo na versão em alemão que, graças a Deus, preparamos aqui em Wittenberg.


ESTUDOS - A Reforma Protestante e Suas Principais Causas
Não há como negar a influência da Reforma Protestante em nosso século. Qualquer livro de História que aborde o tema: "Baixa Idade Média e início da Idade Moderna", tem, obrigatoriamente, a necessidade de discorrer sobre um dos principais marcos dessa época: a Reforma Protestante, liderada pelo monge agostiniano Martinho Lutero. Embora seja extremamente velho (quase 500 anos), trata-se, porém, de um tema ainda vivo e em debate hoje em dia. A interpretação que os historiadores dão à História influencia a explicação das causas da Reforma Protestante. A ênfase sobre um ou outro fator histórico depende da escola de interpretação. Vejamos o que nos informa o historiador Earle E. Cairns:


ESTUDOS - Como Era o Pano de Fundo Político e Filosófico da Renascença, de onde brotou a Reforma Protestante?
Meu caro leitor, no pano de fundo do pensamento renascentista se destacam algumas figuras de vulto, começando com Nicolau de Cusa e terminando com Giordano Bruno. É uma nova concepção filosófica do mundo e da vida, ainda não bem claramente esboçada, de que seus próprios autores, às vezes, não tem clara consciência. É uma época de transição, em que novo e velho se entretecem mutuamente. A maior conquista do pensamento da Renascença está na história humana e na ciência natural. Daí derivam, em seguida, a ciência política e a técnica científica, que tiveram o seu grande início. É o fruto do vivo interesse e da penetrante observação da experiência e do concretismo, quase desconhecidos do pensamento clássico e medieval.


ESTUDOS - O Protestantismo (Documentário)
"Pois não me envergonho do Evangelho de Cristo, pois ele é a força da salvação de todo aquele que acredita. Do judeu em primeiro lugar, mas também do grego. Pois nele está a justiça de Deus que é revelada pela fé e na fé, como está escrito: 'o justo viverá pela fé'." No século 16, uma série dramática de protestos religiosos, sociais e políticos, produziu uma nova e influente forma de cristianismo que logo cresceria para rivalizar com o católico e o ortodoxo, como o terceiro grande ramo da maior religião na Europa. Mais tarde, o protestantismo se espalharia mundialmente em um dos maiores movimentos da História.


ESTUDOS - Protestantismo no Brasil
O estudo da história da igreja cristã, especialmente no Brasil, têm provocado alguns estudiosos a observar e escrever sobre os problemas do protestantismo em nosso país, as perspectivas do movimento é discutido a necessidade de uma teologia tupiniquim. O professor Luiz Sayão, nos convida a fazer essa análise: "É preciso pensar o protestantismo pau-brasil! Protestantismo do país pentacampeão, pentasecular, pós-pentecostal, perigosamente problemático, praticamente pós-moderno! Para pensar, em prolegômenos, o protestantismo principiante do principal país português, precisamos proferir palavras propriamente planejadas, previamente preparadas, pesquisando os períodos do protestantismo pau-brasil: partindo-se do pioneiro e principiante, e prosseguindo até o presente e pós-moderno. Possivelmente poderemos prosseguir pincelando o painel polimorfo protestante! Podemos prosseguir? Perfeitamente!"


ESTUDOS - A Salvação se Dá pela Fé ou Pelas Obras?
Meu caro leitor, considerando o desígnio da passagem bíblica, desaparecem as aparentes contradições. Paulo diz que o homem é justificado pela fé sem as obras, e Tiago afirma que o homem é justificado pelas obras e não somente pela fé. Como eliminar tal aparente contradição? Levando em conta o desígnio diferente que levam as cartas de um e de outro, Romanos 3.28 e Tiago 2.24.


ARTIGOS INTERESSANTES - Bíblia Estimula Consciência Social
Um estudo promovido pela Universidade Baylor, no Texas, Estados Unidos, e coordenada pelo pesquisador Aaron Franzen, divulgou em setembro que a leitura frequente da Bíblia Sagrada desenvolve a consciência social das pessoas, resultando na preocupação com a pobreza e no tratamento mais humano dos criminosos, e ainda, segundo as informações da pesquisa, a leitura da Bíblia também está ligada a melhores atitudes em relação à Ciência.


ARTIGOS INTERESSANTES - "Os Erros Não se Acham na Revelação de Deus, Mas nas Interpretações dos Homens"
A maioria das explicações dadas acerca de questionamentos sobre a Bíblia são baseadas na própria fé. No livro "Manual de Dificuldades Bíblicas", os teólogos americanos Norman Geisler e Thomas Howe se propõem a explicar as passagens mais polêmicas do livro baseando-se também na lógica. Após um trabalho de pesquisa que durou 40 anos, a dupla destaca 780 passagens, que vão desde o conforto das acomodações na arca de Noé, em Gênesis, até questionamentos sobre a redondeza do planeta Terra, lá em Apocalipse. Escrita sob tópicos de "problema" e "solução", a obra é extremamente direta, sucinta, e passeia por todos os livros da Bíblia. O texto explica pontos de difícil compreensão da narrativa e traz as referências nas quais os teólogos se baseiam para criar os embates.


ARTIGOS INTERESSANTES - A Bíblia é o Documento Mais Historicamente Correto de Todos os Tempos
Chad Hovind, pastor da mega igreja Horizon Community, de 5.000 membros, em Cincinnati, Ohio, quer ajudar os cristãos a entender melhor por que a Bíblia é o documento "mais historicamente correto de todos os tempos". Segundo Hovind, a visita do conhecido pregador Josh McDowell à sua igreja ajudou muitas pessoas a "abrirem os olhos" para alguns fatos fascinantes. O autor de "Mais que um carpinteiro" usou em suas palestras um rolo com os cinco primeiros livros da Bíblia (Torá) com cerca de 500 anos de idade. Ele permitiu que os presentes o tocassem e examinassem. Depois, explicou que aquele era um dos poucos manuscritos completos da Torá do mundo que não está em algum museu.


ARTIGOS INTERESSANTES - A Descoberta da "Onda Gravitacional" do Big Bang Reforça a Criação Bíblica, Diz Astrônomo
Alguns especialistas científicos cristãos acreditam que a descoberta da "onda de gravidade", anunciada no início desta semana por cientistas que trabalham com um telescópio no pólo sul chamado BICEP 2, fornece confirmação para o relato bíblico da criação, apoiando a teoria do "big bang". "A Bíblia foi a primeira a predizer a cosmologia do big bang", segundo Hugh Ross, presidente e fundador de Reasons to Believe, uma organização criacionista que acredita que o cristianismo e a ciência são complementares.


ARTIGOS INTERESSANTES - E Se a Reforma Protestante Não Tivesse Ocorrido?
Dizem que ele não tinha a intenção. Mas, em 1517, quando o monge alemão Martinho Lutero se revoltou com os rumos do catolicismo e propôs uma reforma na Igreja, acabou mudando o destino do mundo inteiro. Naquela época, reis, príncipes e duques estavam insatisfeitos em prestar obediência ao papa, por isso, aproveitaram o movimento para proclamar sua independência não só religiosa mas também política.


OUTRAS OBRAS - Uma Introdução a Max Weber e a "Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo".
"A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo" (Die protestantische Ethik und der Geist des Kapitalismus) de Max Weber foi escolhido como o mais importante escrito teórico publicado no século XX, por dez intelectuais convidados pelo jornal Folha de São Paulo, para elaborar a lista dos cem melhores livros de não-ficção ou ensaios do século (uma outra obra de Weber, "Economia e Sociedade", ocupa a terceira colocação).

Por Franklin Ferreira,
Ministro da Convenção Batista Brasileira, doutorando em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, onde leciona Teologia Sistemática.

* Arquivo em PDF contendo 14 páginas. Aproximadamente 171kb.


PERGUNTAS E RESPOSTAS - Lutero Adicionou a Palavra "Somente" em Romanos 3.18?
Oi irmão Marcell a paz!!!

Romanos 3.28 diz: "Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei."

Os católicos dizem que Lutero adicionou a palavra "somente" em Romanos 3.28 para ensinar a doutrina da Sola Fide. Embora, nas nossas Bíblias atualmente não constam a palavra "somente" e na Bíblia que a Igreja Luterana usa atualmente também não consta.

É verdade que Martinho Lutero acrescentou a palavra "somente" em Romanos 3.28? Por favor me explique.

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